Contra fatos não há argumentos: os clubes brasileiros recebem mais dinheiro - principalmente da TV - do que há cinco, seis anos. Sorte dos que contam com administração competente para usufruir disso com times competitivos... Esse fortalecimento econômico tem sido fundamental para o aumento de nomes de peso nos campeonatos - Ronaldinho, Luis Fabiano, Deco, Fred, Seedorf, Forlán, entre outros, fora a manutenção de talentos como Neymar, Dedé e Lucas (este de saída para o PSG). Para 2013, o Corinthians repatriou Renato Augusto e está na iminência de anunciar Pato. Nenê e Robinho são alguns dos "europeus" cotados para voltar ao país.
Mas essa tendência não é meramente financeira. Sejamos sinceros, o Brasil não tem produzido tantos craques assim. Há dois ou três foras de série, o restante é do mesmo nível (bem mediano). Qual foi o último jogador acima da média a sair do país para um grande, eu disse grande, clube europeu?
Parece haver cautela das potências européias em relação aos brasileiros. São investimentos caros e que na maioria das vezes não têm resultado prático. O menino ganha uma bolada na negociação, coloca o burro na sombra e depois de seis meses, um ano, força seu empréstimo ou sua venda desvalorizada para matar a saudade do arroz com feijão por aqui. Ainda há os que caiam nessa, como os milionários russos, ucranianos e o famoso "mundo árabe" - aliás, acho engraçado quando usam essa expressão, como se os países do Oriente Médio integrassem outro planeta de uma galáxia distante.
Só isso explica o Milan, por exemplo, não fazer questão nenhuma de segurar Pato, marcado por lesões na Itália, e outros com a mesma magnitude pisarem em ovos na hora de avaliar um brasileiro candidato a craque. Quem usufrui dessa cautela são os clubes tupiniquins, cada vez mais robustos financeiramente.
Se o seu clube pode se dar a esse "luxo", feliz 2013. Se não, capriche nas intenções de Ano-Novo.


O colunista Benjamin Back está em férias.

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