CAMISA 12 - Os clubes estão aprendendo?
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
EDUARDO TIRONI<br> [email protected] 
Até poucos anos atrás, o período pré-Natal era frenético nos clubes. A busca por reforços tomava conta do noticiário, com muita especulação, algumas contratações bombásticas e pacotões de reforços medianos. Quase que diariamente havia uma apresentação em algum dos grandes clubes. E quando os reforços demoravam para aparecer, quem aparecia eram os torcedores. Para reclamar da falta de atitude da diretoria.
Faltando três dias para o Natal, ainda não há uma grande contratação anunciada. A ponto de a chegada do (bom) atacante Lucas Pratto ser motivo de muita comemoração por parte da torcida do Atlético Mineiro.
No Corinthians, a "grande novidade" dentro de campo é a volta de Emerson Sheik. No Fluminense, a cada sinal de que os maiores jogadores não vão sair é quase como uma nova contratação.
Sem grandes negócios, mais uma vez os treinadores dominam a cena. Tite é o maior reforço apresentado pelo Corinthians até agora, com direito a uma entrevista coletiva imensa. Osvaldo de Oliveira é a grande aposta do Palmeiras. Enquanto isso, o Inter busca desesperadamente um treinador, assunto que dominou o noticiário colorado nos últimos dias depois de investidas frustradas da nova diretoria.
Por enquanto, nem os torcedores estão muito incomodados com o cenário. E isso pode ser resultado de duas coisas: 1) o desinteresse da torcida com seu time neste fim de temporada, o que parece improvável, visto que esta é a época da esperança do fanático, a que ele mais procura notícias sobre seu clube; 2) uma consciência de que os tempos são outros, ninguém vai gastar (mesmo porque não tem) e uma visão um pouco mais racional de como deve ser administrado um clube de futebol.
A experiência de sucesso do Cruzeiro, que buscou alguns reforços não badalados e montou um timaço bicampeão pode ser uma explicação para a calma do torcedor e a prudência dos cartolas. O modelo de austeridade do Flamengo, um sucesso até agora, pode ser outra fonte de inspiração.
Mas como tudo no futebol, pode ser apenas uma onda passageira de responsabilidade. O calo pode apertar, as torcidas protestarem e os cartolas começarem a cometer barbaridades.
Ainda tem o perdão das dívidas, que já passou pela Câmara, criando uma expectativa de cenário excelente para recomeçar a farra. Vale a pena ficar de olho.



