CAMISA 12 - Medina, a ótima 'modinha' de 2014
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
THIAGO SALATA<br> [email protected] 
Jamais tinha parado um minuto sequer para ver surfe. Eu e alguns milhares de brasileiros tentamos entender um pouco do esporte na noite de sexta feira em que Gabriel Medina atraiu atenção de todos, na etapa em que conquistou o título mundial. Como funciona uma bateria? Como é a competição? Como são as notas? A maioria que ligou a TV ou acompanhou a disputa pela internet, com certeza, foi respondendo tais perguntas aos poucos.
E vibrou com o resultado, a façanha do brasileiro no esporte.
Mas quem ousou manifestar qualquer felicidade com a vitória de Medina talvez tenha sofrido com a já tradicional "patrulha".
Não foram poucas as manifestações ofensivas em redes sociais contra o que chamaram de "modinha". Como se fosse um crime um esporte em grande apelo aos brasileiros chamar a atenção pelo sucesso de um brasileiro. A cartilha dos mal humorados das redes sociais diz que só quem era fã e especialista em surfe poderia torcer ou assistir à final. Um absurdo, você, brasileiro, ficar feliz com o título, oras, de um brasileiro! Só vale futebol, o resto é "modinha". Chatice! É muito provável que boa parte das pessoas que pararam para ver Medina nem volte a ligar uma televisão para ver surfe. E qual o problema? Por outro lado, outras tantas podem, impulsionadas pelo garoto, pegar gosto pelo esporte. Talvez passem a acompanhar as etapas de 2015, tenham um novo ídolo... Não é preciso entender de surfe para entender que Gabriel Medina, aos 20 anos, já é um talento raro. E merece todos os aplausos por triunfar num esporte em que muitos não conseguiram vencer as primeiras ondas para chegar ao topo. Não cabe comparação a Gustavo Kuerten ou Ayrton Senna, como já aconteceu depois da façanha do paulista. Medina tem de ser apenas Medina e curtir seu sucesso, lutar por mais títulos e, quem sabe, tornar-se de fato um ídolo nacional. Ainda é cedo. E se nada disso acontecer, paciência. Medina realizou seu sonho, já fez brasileiros sorrirem.
Aos chatos e mal humorados, que se proliferam e patrulham a tudo e a todos, fica o desejo de um 2015 menos amargo. Que mais Medinas e campeões apareçam e virem boas "modinhas"!



