Caminhão do Brasil vence primeira etapa do Dacar-Cairo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de janeiro de 2000
Por Julio Cruz Neto 
Dacar, Cairo, 06 (AE) - O navegador André Azevedo, com seu caminhão Tatra, obteve o melhor resultado brasileiro na primeira etapa do rali Dacar-Cairo, hoje, entre Dacar e Tambacounda. Tendo ao seu lado o piloto Tomas Tomecek e o mecânico Petr Vodak
ambos checos, André, da equipe BR Lubrax, foi o mais rápido da especial (trecho cronometrado) de hoje, que teve apenas 284 quilômetros, com o tempo de 4h30min55. Em segundo, ficou outro caminhão da marca Tatra e em terceiro, um Kamaz (russo). Amanhã, o rali segue para Kayes, no Mali.
Entre os carros, Kléver Kolberg, com um Mitsubishi, terminou em 32o no geral, oitavo na categoria maratona, a que ele almeja ganhar, ao lado do navegador francês Pascal Larroque. A etapa era tão veloz que Kléver ficou com medo: "Estava tão rápido no começo que eu comecei a andar a 180 km/h e aí travei. Tinha várias árvores batendo no carro e a imaginação começou a funcionar."
Kléver estava feliz por ter sido 12 segundos mais rápido que Joaquim Gouveia, o Juca Bala, seu companheiro de equipe na categoria motos. E tirou um sarro do parceiro. Mas é melhor não provocar muito, caso contrário todas as recomendações para que Juca não acelere muito, como é de seu feitio, podem ser vão. No ano passado, Juca abandonou o Dacar após bater numa vaca num trecho de deslocamento.
Juca fez hoje o 24o tempo, quinto melhor na maratona. Ele reclamou por ter sido atrapalhado pelos "índios" que indicavam a direção errada: "Aí vi que tinha alguma coisa errada porque só tinha três marcas de pneu no chão e várias motos tinham largado na minha frente." Juca Bala estava feliz por ter sido calmo nessa hora e analisado a planilha: "É isso que eu não fazia antes."
Dos carros da equipe Troller, estreante no Dacar, o melhor colocado foi o de Reinaldo Varella e Alberto Fadigatti, que ficou na 49a posição. Assim que chegou ao acampamento, onde chegou a chover hoje à tarde mas já havia um calor razoável, Fadigatti foi direto pegar o telefone via satélite para falar com sua filha Ana Cláudia, que recentemente teve uma complicada operação no pâncreas e ficou alguns dias em coma.
Feliz por ela ter voltado para casa ontem, Fadigatti disse: "Posso até sair do rali que já estou contente." Sobre sua primeira etapa no Dacar, o piloto contou que ele e Varella andaram bem devagar, poupando o carro. E que o percurso, num piso bem parecido com o que se encontra no Brasil, não exigiu muito. Mas seu comentário mais entusiasmado se referia a um fato bem mais distante, no Brasil: "Ela (Ana Cláudia) até comeu milho hoje."
A grande decepção da Troller hoje ficou por conta de Roberto Macedo e Marcos Ermírio de Moraes. O carro deles teve a caixa de transferência quebrada, voltou rebocado de caminhão e sua participação no rali está ameaçada. Arnoldo Silveira e Gabriel Galdino terminaram em 80o e a dupla Cacá Clauset e Amir Klink ficou em 95o.
A grande surpresa de hoje foi o primeiro lugar do português Carlos Souza entre os carros. Com um Mitsubishi, Souza, que há duas semanas operou uma apendicite, foi o mais rápido a completar a especial, à frente dos japoneses Kenjiro Shinozuka e Hiroshi Masuoka, ambos de Mitsubishi.
Nos últimos quatro anos, Souza disputou o Dacar com três navegadores franceses diferentes. Mas agora, sentindo-se um piloto com mais experiência, trouxe seu compatriota João Luz, um estreante no Dacar, para atender a um pedido do patrocinador e da imprensa. Souza admite que tem certo receio dessa experiência
mas procura não deixar que o co-piloto perceba.
Nas motos, a liderança é do francês Richard Sainct, campeão do ano passado, com sua BMW. Os espenhóis Joan Roma e Jordi Arcarons, ambos de KTM, fizeram em segundo e terceiro, respectivamente. E outra BMW, do americano Jimmy Lewis, chegou em quarto. A disputa entre as duas marcas promete.
Uma curiosidade: os carros 366 e 373 constam como espanhóis na lista de competidores, mas a bandeira colada neles não é muito conhecida. Isso porque seus pilotos são do País Basco, região do norte da Espanha marcada por um forte movimento separatista, e colocaram a bandeira local na lataria de seus Mitsubishi.


