Cambistas tomam conta da Baixada
Fernando Tupan
De Curitiba
Milhares de torcedores que foram ontem às bilheterias do Estádio Joaquim Américo, para comprar cartões magnéticos com a finalidade de assistir ao jogo entre Flamengo x Atlético, criticaram a diretoria rubro-negra. Eles não conseguiam entender como havia tantos cambistas com ingressos na mão.
O torcedor Caetano Borges era um dos descontentes. Isso é brincadeira com nós atleticanos. Os cambistas estão forrados de ingressos. Compraram menores e mulheres por R$ 5,00 e estão vendendo por R$ 15,00. Para arquibancada querem R$ 25,00 e ainda falam na cara dura que amanhã o preço vai ser majorado para R$ 50,00.
Ontem 30 cambistas operavam na frente da Baixada, sem nenhuma repressão. Estou aqui há uma hora e contei trinta. Um deles me disse que viajam o Brasil, em bandos, comercializando entradas, contou com raiva Jonel Silva.
O esquema desses vendedores geralmente começa com um banqueiro, que compra os bilhetes, distribui - geralmente para um grupo de oito a dez pessoas - e lhes dá uma porcentagem que varia de 20% a 50%. Também existem os independentes, que levam os familiares para fila de compra, e os laranjas.
A carioca Maria das Dores confessou ser uma profissional e revelou que seu grupo tem esquema montado com a Federação. Só não quis explicar se era com a Paranaense, a Carioca, a Brasileira ou dos cambistas. Nós compramos ingressos deles a R$ 12 e então revendemos. Por isso temos tantas entradas em nossas mãos.
A torcida lamentava a falta de repressão na atividade enquanto os cambistas zombavam da Polícia Militar. Eu nunca estive antes aqui em Curitiba. Mas a cidade é adorável. A PM não toma nenhuma atitude contra a gente. Assim podemos faturar em cima das pessoas que não chegam cedo para comprarem seus ingressos, concluiu Maria.





