Cambistas pedem ingresso de volta
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sábado, 10 de abril de 1999
Por Simone Biehler Mateos 
São Paulo, 10 (AE) - Só a confiança incondicional no cliente garantiu hoje o lucro dos cambistas que vendiam ingressos na porta do Autódromo de Interlagos. A maioria comprou a entrada eletrônica válida para os três dias para negociar separadamente o acesso a cada um dos dias.
"A gente vende na confiança, o cara entra e só aí, pela grade
paga e devolve a entrada para a gente vender no dia seguinte", disse Luis Salles. Ele garante que ninguém tomou calote. "O pessoal acha legal a confiança e devolve direitinho."
A tática permitiu lucro médio de 25% aos cambistas. Quem queria assistir a um dia só, conseguia com eles preço menor que o oficial. Mas a alegria durou pouco: logo a organização bloqueou o acesso através da grade, para tristeza dos vendedores de capas de chuva que pretendiam fazer negócio por ali caso a chuva chegasse.
A solução dos ambulantes foi ousar. Num canto discreto do muro
mais de 50 deles, carregando amendoim, capas de chuva e protetores de ouvido, pularam para dentro do autódromo. Aluísio Soares, que vendia almofadas para sentar, ficou trabalhando fora mesmo, mas com muito pesar. Foi a primeira vez que ele perdeu uma corrida de Fórmula 1 no Brasil. "Adoro as corridas, mas com a crise tenho é de ganhar." Soares garantiu, entretanto, a entrada do filho, de 12 anos.
Já os irmãos Sebastian e Cornelius Schmidt vieram de Dusseldorf, na Alemanha, para pechinchar entradas na porta. Os dois são especialistas em viagens baratas para ver as corridas de Fórmula 1. Atrás das provas, já estiveram na Austrália, Japão e por toda a Europa. Dessa vez, a viagem custou menos de US$ 800 a cada um, incluindo avião, uma semana de estada e entradas. "O segredo é pegar as liquidações de última hora", disse Sebastian.


