Cambaraense teve trajetória curta, mas vitoriosa
Muito antes do Matsubara aparecer a Cambaraense já existia e agitava os gramados de Cambará. Muitos torcedores na cidade, principalmente os mais antigos, apontam a Cambaraense como sendo o time do coração deles, mesmo sem a equipe existir mais.
Fundada em 1950, a Cambaraense teve uma passagem curta pelo futebol profissional do Paraná, mas até certo ponto, vitoriosa. O time começou a participar do Estadual em 51 e já em 53 quase foi campeã.
O campeonato era de pontos corridos e a Cambaraense fazia uma bela campanha, com apenas uma derrota e seis pontos à frente do vice-líder Ferroviário, da capital. Faltavam apenas três rodadas e o ''Tigre do Norte'' como era conhecida por ser uma equipe muita aguerrida poderia até perder duas partidas que ainda seria campeã. Mas o impossível aconteceu.
As três partidas seriam disputadas em Curitiba. No primeiro jogo a Cambaraense tinha pela frente o Palestra Itália e perdeu por 2 a 1. No segundo, foi a vez do Água Verde vencer por 3 a 0. Com as duas derrotas, a Cambaraense permitiu que o Ferroviário empatasse no número de pontos: 28. A decisão, então, ficou para a última rodada, quando as duas equipes iriam se enfrentar no Estádio Durival de Brito, em Curitiba.
A Cambaraense fez 1 a 0, mas o Ferroviário virou para 2 a 1 e sagrou-se campeão paranaense, no ano do centenário de emancipação política do Estado. ''O meia Rubens se machucou no começo do segundo tempo e, naquela época, não podia substituir. Isso pesou no resultado. A Cambaraense era o melhor time do Paraná na época, indiscutivelmente'', observa o contabilista e ex-jogador do Operário de Cambará, João Gilberto Burstolin, 61 anos, que acompanhou o jogo das arquibancadas do Durival de Brito, no dia 28 de novembro de 1953.
Ele conta que alguns fazendeiros bancavam o time. ''Cada um ajudava do jeito que podia'', lembra.
Os fazendeiros eram, em sua maioria, produtores de café, cultura em alta na época e que comandava a economia da região Norte do Estado. Mas ainda em 53 uma grande geada atingiu a cidade e acabou com a plantação de café e, consequentemente, com a Cambararense. ''O café fazia girar muito dinheiro e, sem ele, era impossível tocar o time'', afirma Burstolin.
Em 59 a Cambaraense ainda tentou voltar e disputou campeonatos até 63, quando houve a fusão com o Operário. O time passou então a chamar-se Cambará Atlético Clube (CAC), onde o ex-centroavante Tião Abatiá, vencedor da Bola de Prata do Campeonato Brasileiro de 1971, foi revelado.
A Cambaraense tinha um uniforme parecido com o do Londrina e mandava seus jogos no Estádio Gustavo Nunes Diniz, na Vila Rubi, com capacidade para 10 mil pessoas. (T.M.)





