Benigamin - Fernandinho, Lázaro e Bruna Carla. O trio de cantores gospel e outros colegas de gênero musical vem conquistando espaço nos tocadores de MP3 da boleirada, que antes era dominado por pagodeiros. O trio, também é o preferido de um volante do Cincão, que usa o louvor para buscar forças e superar a distância e a saudade. É o caso do garoto Koffi Prosper, 19 anos, camaronês que há seis meses é titular do Sub-20 do Cincão. Longe da família de verdade, ele criou uma família nova com os colegas de clube para tentar vencer na profissão.
Vindo de um país católico, Koffi passou a frequentar também os templos evangélicos em Londrina. ''O importante é falar de Deus. Por isso gosto desses cantores'', disse o volante, já em bom português.
Koffi é um dos destaques do Cincão, que, a partir de sábado, disputa a 28 edição da Cotif, um dos mais tradicionais torneios sub-20 da Espanha. Assim como para a maioria dos garotos da equipe londrinense, a competição é a possibilidade de garantir um futuro melhor, já que empresários de toda a Europa se acotovelam nas arquibancadas em busca de novos talentos.
É a primeira vez dele no Velho Continente. Chegou a ser sondado quando mais novo por um clube europeu, mas a família não permitiu que deixasse Camarões. ''Eles queriam que eu estudasse'', lembrou. ''A minha esperança é arrumar um time na Europa. Mas isso, é só Deus quem sabe'', afirmou o religioso Koffi.
E foi com o objetivo de dar uma vida melhor para a família que ele cruzou o Atlântico para tentar a sorte no Brasil. Desembarcou em Imperatriz, no Maranhão, para defender o Marília-MA, onde o técnico era Evandro Guimarães, atual treinador do Cincão.
A presidente do Saint Etieno, de Camarões, Ndoungou Beatrice, convidou o treinador para avaliar alguns jogadores do clube africano. Ele gostou justamente de Koffi e o levou para o Maranhão. Ao vir para Londrina, o trouxe junto. ''Ele é muito forte, muito bom tecnicamente e tem muita personalidade'', ressaltou o treinador.
Com 1m73 e 75 quilos de massa muscular - seu percentual de gordura é zero, de acordo com a comissão técnica do Cincão -, Koffi realmente é muito forte. E se inspira em dois jogadores com características parecidas com a dele, os volantes Willians, do Flamengo, e Alexandre Song, da seleção camaronesa e do Manchester City.
Saudade
A distância da família é o maior obstáculo para o camaronês no Brasil. Tanto que, no início, pensou em desistir. ''Na segunda semana eu queria voltar. O lugar (no Maranhão) não era legal, era pior do que onde eu estava, em Camarões. Mas eu estava longe da família e sentia muita falta. Mas fiquei, porque preciso vencer na vida'', contou o volante, que completa nesta semana um ano e três meses de Brasil.
A saudade foi amenizada, além do louvor, pela namorada nova, que ele teve que deixar em Imperatriz. ''E o dinheiro para levar ela pra Londrina?'', brincou, ao ser questionado se fazia tempo que não a via.
No Cincão, ele afirmou que está muito feliz. ''Aqui é muito bom. Tem vez que me dá uma saudade da família, mas lembro que aqui (a equipe) é minha família também. Agora, não penso mais em voltar para Camarões. A não ser quando estiver bem, para ajudar minha família'', disse.
Koffi não é o único camaronês no futebol londrinense. No Londrina, o atacante Tagueu Joel, de 17 anos, aguarda a maioridade para poder ser regularizado e jogar pelo Tubarão. Ele chegou até a ser convocado para a seleção Sub-20, em 2011, mesmo sem estar atuando.

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