Calotes fazem LEC sofrer intervenção
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domingo, 29 de outubro de 2006
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Campeão de vexames dentro de campo nos últimos anos, o Londrina Esporte Clube coleciona agora humilhações fora dele. Depois de ver sua Sede Campestre ser leiloada para o pagamento de dívidas trabalhistas em pleno ano de seu cinqüentenário, o clube agora sofre uma intervenção determinada pela Justiça do Trabalho.
A decisão do juiz Reginaldo Melhado, da 6ªVara do Trabalho, foi anunciada no sábado. Ele acatou a decisão do Ministério Público do Trabalho e nomeou o contador Rubens Moretti como interventor, para cuidar da parte administrativa e financeira do clube por tempo indeterminado. O juiz também determinou a penhora da Sede Campestre. O Londrina pode recorrer.
O motivo para a decisão são as dívidas trabalhistas do clube que, em 2004, era de R$ 2,5 milhões. O acordo com a justiça trabalhista, que previa pagamentos mensais não vem sendo cumprido segundo o despacho do juiz. O descaso, a omissão e a irresponsabilidade administrativa dos dirigentes do clube vêm sendo demonstrados historicamente e aparecem no presente feito, inclusive pela completa omissão já registrada, condenou Melhado no texto da decisão.
Moretti ainda não foi informado oficialmente sobre a decisão. Ele não tem nenhuma ligação com o clube. O contador, de 44 anos, presta serviços como perito judicial à 6ªVara do Trabalho. Talvez por isso eu tenha sido nomeado, disse ontem à Folha. O comunicado oficial deverá ser feito nesta manhã tanto a Moretti como ao presidente do Londrina, Peter Silva.
O dirigente permanece no cargo, mas não poderá tomar nenhuma decisão administrativa sem o consentimento do interventor. Até ontem à tarde, Peter não tinha tomado ciência do conteúdo do despacho e preferiu se silenciar. Por meio de sua assessoria de imprensa, ele disse que convocará uma entrevista coletiva para a tarde de hoje para dar a posição oficial do clube.
O cartola não esteve presente na audiência ocorrida na manhã da sexta-feira. O advogado Ricardo Ramalho Cardoso, que o representou, culpou ex-presidentes pela situação caótica por que passa o clube. Realmente, pelo passado, pela irresponsabilidade de administradores que se intitulam dirigentes de futebol profissional, deixaram ao descaso o clube que tem identidade, lapso temporal; que atualmente amarga os desmandos de seus dirigentes, portanto, tanto encargos trabalhistas quanto encargos previdenciários são insustentáveis pelo clube atualmente, logo, desnecessário identificá-lo como mau pagador, disse Cardoso em seu despacho.
A intervenção é apenas o reflexo da bagunça administrativa que se tornou o Londrina ao longo dos anos. Muitas das ações trabalhistas que justificaram a medida judicial foram perdidas pelo clube por falta de um representante em audiências trabalhistas, como foi o caso do zagueiro João Renato, no início do ano, quando o Londrina não mandou ninguém para defendê-lo.
Mesmo com a parceria com o Grupo Massa, que injetaria dinheiro no clube, o Londrina não consegue cobrir os gastos mensais. Os salários de funcionários do clube estão atrasados. Os principais jogadores receberam pagamento do mês passado há uma semana e aguardam o último vencimento. Jogadores que não vêm sendo aproveitados não recebem há pelo menos dois meses, segundo os próprios atletas.


