Ontem, às 17h30, a temperatura no futurista aeroporto da capital malaia era de 31 graus. A expectativa para o horário do GP da Malásia, domingo, 14 horas (três da manhã em Brasília), o segundo da temporada, é de que faça ainda mais calor. Nos últimos dias a maioria das equipes tentou, dentro do possível, simular na Europa as dificuldades que enfrentarão no belo autódromo de Sepang. ‘‘A resistência do equipamento será o maior desafio da competição’’, previu Mario Theissen, diretor da BMW, fornecedora de motores da Williams.
A maioria dos pilotos chega hoje à Malásia, a fim de se acostumar com o fuso horário de sete horas a mais em relação à maior parte do continente europeu. Mas o que mais preocupa esses profissionais, bem como os engenheiros de suas equipes, é a temperatura próxima dos 36 graus, esperada para domingo. ‘‘Além dessas condições difíceis para os carros, há também na pista de Sepang duas longas retas, que colocam ainda mais à prova os motores’’, lembrou Theissen.
A impressionante evolução da velocidade dos carros, gerada principalmente pela concorrência entre os dois fabricantes de pneus, Bridgestone e Michelin, além de tornar a Fórmula 1 mais perigosa, conforme ficou claro na Austrália, elevou o limite dos carros. Mas antes mesmo da corrida, o diretor-técnico da Benetton, Mike Gascoyne, já havia adiantado que, pelo menos no início do campeonato, haveria um número de quebras maior do que o normal, motivada por essa elevação do limite.
A rigor, a não ser a Williams e a BAR, que já treinaram na África do Sul, ninguém sabe como seu carro se comporta nessas condições.
‘‘O que dá para fazer é tampar parte dos radiadores, a fim de simular a concentração de ar que os atingirão em locais onde faz mais calor’’, explicou Rubens Barrichello, da Ferrari, responsável pelo trabalho do time italiano com o modelo F2001 em Fiorano. O problema atinge também os fabricantes de pneus. ‘‘Eles recriam essas condições de desgaste extremo nos computadores, vêm as suas necessidades e constróem pneus para tentar suportar tudo isso’’, contou Rubinho.

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