Calor extremo pode afetar até 97 jogos da Copa do Mundo de 2026
Marquinhos lembra experiência no Mundial de Clubes e problema ao sair atrás do placar
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quinta-feira, 04 de junho de 2026
Marquinhos lembra experiência no Mundial de Clubes e problema ao sair atrás do placar

Antes mesmo de a bola rolar, a Copa do Mundo de 2026 já enfrenta um adversário que preocupa seleções, organizadores e especialistas. Trata-se do calor extremo. Estudos recentes apontam que as mudanças climáticas poderão impactar diretamente o desempenho dos atletas e até provocar adiamentos de partidas durante o torneio, que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México.
Levantamento da organização Climate Central indica que 97 dos 104 jogos previstos para a competição têm maior probabilidade de ocorrer sob temperaturas superiores a 28°C, patamar considerado capaz de afetar o rendimento físico dos jogadores. Segundo os pesquisadores, o calor intenso pode reduzir a frequência dos sprints, diminuir a distância percorrida em campo e comprometer a recuperação dos atletas ao longo das partidas. Além disso, as altas temperaturas tendem a influenciar estratégias, ritmo e qualidade técnica dos confrontos.
No ano passado, isso já foi um problema na disputa da Copa do Mundo de Clubes, disputada nos Estados Unidos. O zagueiro Marquinhos, vice-campeão do torneio com o PSG, admitiu que esse é um problema sério, e que precisará ser superado não só pelo Brasil, mas por todas as seleções.
"Pela experiência que tivemos no Mundial de Clubes, o calor, o cansaço, o desgaste e a desidratação foram fatores muito importantes para nós que chegamos até a final. Foi uma decisão disputada à tarde, sob um calor absurdo, e isso influenciou diretamente os resultados e o desenvolvimento dos jogos", disse ele, que na ocasião viu sua equipe ser derrotada pelo Chelsea.
"Vai ser muito importante aproveitar a experiência que tive, especialmente em relação aos treinamentos, à preparação e aos cuidados que adotamos e que funcionaram. Já compartilhei essas informações com a comissão técnica e com o estafe para que possamos ter as melhores condições de preparação possíveis", seguiu o capitão da seleção brasileira.
"Durante os jogos, essa experiência também será importante. A equipe que consegue sair na frente no placar tem uma vantagem muito grande, porque correr atrás do resultado em condições de calor intenso aumenta ainda mais o desgaste. Vivi isso no Mundial de Clubes e tenho conversado sobre o assunto com meus companheiros. Precisamos começar os jogos bem", completou.
Os dados mostram que quase metade dos jogos tem pelo menos 50% de chance de ser disputada nessas condições. Em outros 26 confrontos, o risco de calor excessivo aumentou em pelo menos dez pontos percentuais em decorrência do aquecimento global associado à ação humana.
O caso considerado mais crítico envolve a partida entre Uruguai e Espanha, marcada para o estádio Akron, em Guadalajara, no México. O estudo aponta 70% de probabilidade de o confronto ocorrer sob temperaturas capazes de prejudicar o desempenho esportivo. O índice representa um aumento de 37 pontos percentuais em relação ao cenário projetado sem a influência das mudanças climáticas. Nos Estados Unidos, os jogos no Hard Rock Stadium, em Miami, também geram preocupação.
Para monitorar os riscos, a Fifa utiliza o índice WBGT (Wet Bulb Globe Temperature), parâmetro internacional que mede o estresse térmico a partir de fatores como temperatura do ar, umidade, incidência solar e circulação de vento. O indicador deve ser aferido 90 minutos antes do início das partidas e novamente uma hora antes do apito inicial.
Pelas diretrizes médicas da entidade, quando o WBGT atinge ou supera 32°C, medidas especiais precisam ser adotadas. Entre elas estão as chamadas "cooling breaks", pausas destinadas ao resfriamento dos atletas e da equipe de arbitragem. Durante as interrupções, são distribuídas toalhas geladas e água refrigerada para reduzir a temperatura corporal e minimizar o risco de problemas relacionados ao calor. Dependendo da avaliação médica e dos responsáveis pela organização da partida, a Fifa também prevê a possibilidade de adiamento ou até cancelamento de confrontos.
A preocupação dos jogadores é ainda maior. Em relatório publicado em 2023, a Federação Internacional de Profissionais de Futebol (Fifpro) recomendou pausas para hidratação quando o WBGT ultrapassar 26°C e sugeriu o adiamento das partidas quando o índice alcançar 28°C, condição que geralmente corresponde a temperaturas ambientes superiores a 36°C.


Matheus Camargo
Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.


