São Paulo - As provas de hipismo na Olimpíada de Pequim não serão difíceis para o Brasil apenas por causa do alto nível dos competidores. A expectativa de temperaturas próximas a 40 graus Celsius e a umidade do ar próxima a 100% colocaram todas as delegações em alerta, inclusive a brasileira, porque a maioria dos cavalos não está acostumada a competir sob essas condições. Enquanto alguns atletas anunciaram que não vão participar dos Jogos para não colocar em risco suas montarias, que chegam a custar milhões de dólares, em risco, o Brasil está de olho nas novidades de Hong Kong, que receberá as provas.
Para isso, os dirigentes, técnicos e atletas mantêm comunicação com pessoas que vivem lá, para garantir que os atletas não sejam surpreendidos pelas armadilhas do local. A preocupação não é à toa. O hipismo é praticamente inexistente na China e a falta de conhecimento sobre o esporte e as preocupações sanitárias levaram os organizadores dos Jogos a transferir as competições para Hong Kong. Durante o período em esteve sob controle da Inglaterra, o território se consolidou como um dos maiores centros do turfe asiático, e o hipódromo de Sha Tin foi adaptado para receber as competições hípicas da Olimpíada.
Mas as condições apresentadas desagradaram algumas delegações. A suíça Silvia Ikle, quarta colocada no ranking do adestramento, abriu mão de participar dos Jogos por temer que seus cavalos pudessem ficar doentes e, com isso, toda a equipe suíça desistiu da Olimpíada. No começo do ano, os alemães Christian Ahlmann e Meredith Michaels-Beerbaum, esta última uma das líderes do ranking mundial de saltos, declararam estar preocupados com o efeito do calor e da umidade sobre as montarias.
''Já fui duas vezes para Hong Kong para conferir as condições e mandamos veterinários para os eventos-teste'', conta o treinador Nelson Pessoa. ''Fora isso, mantenho contato constante com uma ex-aluna minha (Samanta Lam), que é de lá e me mantém informado''. Segundo ele, representantes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) também estiveram em Sha Tin para conhecer o local.
''As instalações são boas, inclusive as cocheiras e a pista interna têm ar condicionado. O problema vai ser na hora da competição, porque as provas serão disputadas sob um calor de 40 graus'', observa Pessoa. ''Mas não é novidade. Já encontramos algo semelhante na Olimpíada de Atlanta. É ruim, mas será igual para todo mundo.''
Segundo o treinador, o projeto é enviar os cavalos da delegação brasileira, ainda não definida, da Europa para Hong Kong 15 dias antes dos Jogos, junto com as montarias de outras delegações. O tempo é considerado adequado para a aclimatação dos animais.

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