Agência Folha
De São Paulo
A previsão do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) para o tempo no dia de hoje deixou a 75ª São Silvestre ainda mais previsível. Afinal, a nebulosidade e a temperatura máxima de 26 graus Celsius reforçam o favoritismo estrangeiro e atrapalham as pretensões brasileiras. Os atletas nacionais esperavam que o clima da última semana permanecesse, com máximas acima dos 30 graus. Uma frente fria, no entanto, deve mudar o cenário, trazendo nuvens e chuvas.
‘‘O calor é única forma de diminuir o ritmo dos africanos. Caso contrário, eles disparam e não há forma de segurá-los’’, afirmou Émerson Iser Bem, que venceu em 1997, quando a temperatura máxima chegou a 32 graus. Naquela prova, o queniano Paul Tergat sofreu sua única derrota no Brasil e se queixou do sistema de postos de reposição de água na prova. ‘‘Estava muito quente e úmido. Suei muito. Quando estava perto da chegada, uma pessoa jogou água em mim. Acabei me desconcentrando e perdendo’’, disse Tergat. Ele treina geralmente na Europa, mas mesmo em Nairobi, capital queniana, o clima é mais ameno do que em São Paulo, pois a cidade fica a mais de 1.600 metros acima do nível do mar.
Para o brasileiro Elenílson Silva, medalha de ouro nos 10 mil metros no Pan-Americano deste ano, outra vantagem do calor e, consequentemente, da umidade é que iguala os competidores. Com a temperatura não tão alta, o queniano é ainda mais favorito para hoje. Se conquistar sua quarta vitória na prova, Tergat se igualará ao equatoriano Rolando Vera, único atleta a atingir o feito depois que a competição virou internacional, em 1945.
Esse mesmo favoritismo recai sobre a iugoslava Olivera Jevtic, que pode chegar ao bicampeonato. Tergat detém o recorde da São Silvestre (43min12s), estabelecido em 1995, quando a temperatura máxima foi de 27 graus. A melhor marca feminina (50min26s), obtida por sua conterrânea Hellen Kimayio, também foi conseguida num dia ameno, com 26 graus.
Se a previsão de temperatura para hoje prejudica as ambições brasileiras, por outro lado, aumenta as possibilidades de quebra de recordes. ‘‘Sempre é bom correr com nuvens e uma garoa fina. Meus melhores tempos foram em dias assim. É bom para superar sua marca pessoal, mas torna mais difícil bater as estrangeiras’’, afirma Cleusa Maria Irineu, a brasileira mais bem classificada em 1998.
A questão do calor ganhou importância na São Silvestre a partir de 1991, quando a prova abandonou seu tradicional horário noturno para ser realizada à tarde. Essa mudança aconteceu por exigência da Iaaf (Federação Internacional de Atletismo) e por conveniência dos patrocinadores – suas marcas teriam maior visibilidade. O calor é mais sentido na prova feminina, que começa às 15h15. A masculina é às 17 horas. A TV Globo transmite a prova ao vivo.
Entre as mulheres, as chances brasileiras se reduziram ainda mais com a desistência ontem de Viviany Anderson, que sofreu uma contusão no joelho direito.

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