Calendário se torna novo obstáculo na Libertadores
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segunda-feira, 06 de março de 2017
Luiz Cosenzo<br>Folhapress 
São Paulo - As longas viagens e o clima hostil nos jogos fora de casa sempre foram apontados como obstáculos para o sucesso dos times brasileiros na Libertadores. Mas, neste ano, um novo empecilho ameaça as oito equipes do País no torneio: o calendário. Atlético-MG, Atlético-PR, Botafogo, Chapecoense, Flamengo, Grêmio, Palmeiras e Santos terão de disputar simultaneamente à Libertadores os Estaduais, o Brasileiro e a Copa do Brasil. A fase de grupos, a primeira para a maioria dos clubes brasileiros, começa nesta terça-feira (7) e só daqui a quase nove meses será conhecido o campeão do torneio. Até o ano passado, a Libertadores tomava apenas o primeira metade da temporada. É por causa do alongamento do calendário que os times mexicanos, pela primeira vez desde 1997, não participam da competição.
Com isso, cresce ainda mais a necessidade dos clubes montarem elencos diversificados e numerosos, para dar conta da maratona de jogos até 29 de novembro, quando acontece o segundo jogo da final da Libertadores. "Antes, o mata-mata era realizado em dois, três meses. Com isso, muitos times foram campeões pelo bom momento que viviam na época. Agora, no meu entender, o campeão vai ser o time que tiver mais regularidade durante o ano", disse o treinador do Palmeiras, Eduardo Baptista.
Campeão brasileiro, o clube alviverde é um dos favoritos ao título, principalmente pelos altos valores gastos em contratações de jogadores que se destacaram no torneio recentemente Borja e Guerra, campeões com o Atlético Nacional no ano passado, custaram R$ 43 milhões. E é nas fases finais da competição sul-americana, em que o Palmeiras almeja chegar, que a maratona de jogos dos clubes tende a se agravar. A penúltima rodada do Brasileiro, por exemplo, será entre os jogos de ida e volta da final da Libertadores. "Na fase final, a logística da Libertadores pode atrapalhar, já que você pode fazer uma viagem longa e que desgasta o seu elenco. Afeta a parte técnica, e, na sequência, tem que disputar uma partida pelo Brasileiro", afirmou Eduardo Maluf, diretor de futebol do Atlético-MG.
Outro fator ao qual os clubes terão que se adaptar e não apenas os brasileiros é a janela de transferência. "Antes colocávamos no contrato que só liberaríamos o jogador após a disputa da Libertadores. Agora fica mais difícil porque a Libertadores é disputada o ano inteiro", disse Rui Costa, diretor executivo da Chapecoense. O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, concorda que neste ano as dificuldades são maiores, mas vê coincidências entre o torneio atual e o único conquistado pelo clube rubro-negro. "Em 1981, em menos de um mês, conquistamos o título do Estadual, a Libertadores e o Mundial de Clubes."


