Calendário preocupa médico da Seleção
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sábado, 01 de setembro de 2012
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Médico da seleção brasileira e do Flamengo, o carioca José Luiz Runco revelou, em sua passagem por Londrina, na última semana, bastante preocupação com o calendário do futebol nacional. Segundo o ortopedista, é preciso que os clubes e a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se mobilizem e organizem um calendário para preservar os jogadores.
"O futebol hoje é um grande business e a gente precisa administrar de modo que se possa dar qualidade aos jogadores, afinal eles são seres humanos, precisam de repouso, do relacionamento com seus familiares, de tempo até para os seus momento de lazer, por quê a vida de concentração, avião e jogo é extremamente cansativa", comentou o médico.
Na última terça-feira, a CBF anunciou o calendário do futebol brasileiro para o ano que vem. E como não houve nenhuma mudança mais drástica, a tendência é que jogadores e técnicos continuem sofrendo com o pouco tempo de descanso. O único "refresco" acontece entre os dias 9 de junho e 7 de julho, tempo em que o campeonato brasileiro vai parar para a disputa da Copa das Confederações.
Representante da América do Sul na Comissão Médica da Fifa, Runco diz ainda que este problema não é "privilégio" apenas do futebol brasileiro. "Este aspecto está preocupando no mundo todo, a própria Fifa tem essa preocupação. Vamos agora, no final do mês, a um encontro médico na Fifa, e este assunto, com certeza será tema de discussão", adianta o ortopedista.
Durante muito tempo, se acreditou que a medicina brasileira estava atrasada em relação à europeia. Mas, segundo Runco, assim como acontece no campo financeiro, em que os clubes brasileiros hoje são capazes de competir com o mercado internacional, os médicos do Brasil são tão ou até melhores qualificados que os do Velho Continente.
"Acredito que ninguém deve nada a ninguém. São metodologias diferentes, a nossa é muito respeitada no mundo todo, respeitam o trabalho da área da medicina do esporte, tanto a parte da fisiologia quanto a traumatologia do esporte, e a cada dia nós estamos conseguindo agrupar mais bons profissionais e isso está qualificando cada vez mais a técnica e a saúde dos jogadores", afirmou.
A única diferença, segundo o ortopedista, é o tempo a mais durante a pré-temporada que os clubes europeus têm para se preparar, "o que deixa os atletas mais protegidos durante a competição". "Nós, infelizmente, ainda não temos este tempo".


