Calendário da CBF divide clubes do Interior
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quarta-feira, 27 de junho de 2001
Fernando Tupan De Curitiba Claudemir Scalone De Londrina 
As mudanças anunciadas no calendário do futebol brasileiro para o período de 2002 a 2005 estão provocando um racha entre os clubes do interior do Paraná. Para alguns cartolas, a ausência de Coritiba, Atlético e Paraná da fase inicial do Campeonato Paranaense do próximo ano trará prejuízos com a queda nas arrecadações. Outros, no entanto, acreditam que as equipes do interior terão motivação em disputar uma competição mais equilibrada. A possibilidade de inchaço do Estadual para 16 clubes também divide os dirigentes.
O presidente Sérgio Malucelli, do Iraty, contabiliza um crescimento dos times paranaenses. Vai ser muito bom para nós. Temos perspectivas de crescimento. Agora vamos ter calendário o ano todo e ter chances de disputar competições nacionais. Malucelli concorda com os argumentos dos grandes do futebol paranaense, mas prevê tempos difíceis para esses clubes. Os três grandes vão sofrer mais do que os pequenos. Tirando o Campeonato Paranaense eles não ganharam torneios de importância nacional. O Coritiba foi mais longe, conseguindo o título do Brasileiro de 85, há 16 anos. E foi só.
Existem dois lados da moeda para o presidente Geraldo Taques, do Rio Branco, de Paranaguá. Tem o lado bom e o lado ruim. O bom é que o campeonato vai se tornar mais equilibrado e competitivo. O ruim, é que vamos perder em arrecadação.
Caso fique fora da Copa Sul-Minas, o Londrina poderá até se transformar na grande atração do Paranaense. A opinião é do presidente do clube, Agostinho Garrote. O lado ruim é que o torcedor do Londrina se sente mais motivado em ver jogos contra Atlético e Coritiba, por exemplo, do que contra Prudentópolis ou Beltrão, diz ele. Garrote defende ainda que o clube tenha tratamento diferenciado pelo patrocinador do campeonato. Pelo ranking, tradição e títulos, o Londrina vai reivindicar um pouco mais pelo patrocínio.
A reunião de cúpula está matando a raiz, que são os clubes do interior. A afirmação é do presidente da Portuguesa Londrinense, Hélio Camargo, acusando a CBF, Clube dos 13 e a Rede Globo de terem pensando no calendário apenas em benefício dos grandes clubes. São os times pequenos que criam os craques. Estão querendo matar os pequenos clubes, critica. Camargo é contra ainda mudanças no Paranaense 2002, mesmo se a Lusa não conseguir uma das vagas em disputa na Série A-1.
O presidente do Cataratas, Voniro Ramos da Quinta, acredita que os clubes do interior serão os maiores prejudicados com a mudança no calendário do futebol. Só se tem uma seleção forte com o interior também forte. O interior é ainda o celeiro do futebol e, no futuro, eles (grandes clubes) vão sentir falta, opina Quinta, que pede um calendário anual também para os times pequenos. Ele é contrário a qualquer alteração no acesso e descenso no Paranaense 2002.
O presidente do Grêmio Maringá, Aristides Mossambani, acha que o calendário vai beneficiar apenas os grandes clubes, mas promete se empenhar para manter o time nas competições importantes. Dependemos agora do apoio da comunidade para viabilizar um clube que defenda a cidade, alega.
As prováveis mudanças no Estadual estão sendo bem vistas pelos cartolas do Francisco Beltrão, rebaixado este para a Segunda Divisão. Valdir de Souza, presidente da comissão de apoio ao Beltrão, não entende que o inchaço do Estadual com 16 times seja virada de mesa. Souza também defende que o trio-de-ferro de Curitiba só entre na fase decisiva do Estadual. Nós (times do interior) gastamos R$ 40 mil por mês no campeonato, enquanto eles (equipes de Curitiba) gastam R$ 400 mil. Então, é justo que procurem algo melhor. (Colaborou Marcos Zanatta, de Maringá)


