Sem abusar dos discursos de conteúdo ufanista, que na prática caminham distantes das veias da realidade, Caio Júnior teve ontem seu primeiro dia de trabalho no Londrina. Conciliador, adepto da escola motivacional, o treinador se apresentou cauteloso, embora confiante, e como primeiro objetivo pós-assinatura de contrato quer dar uma identidade ao time. Independente de padrões táticos ou estilo dos adversários, no que depender dele, o Tubarão terá um padrão de jogo muito bem definido. ''O futebol não é uma coisa exata, mas uma equipe deve ter no mínimo uma organização tática definida. Se tiver desorganizada, o torcedor estará no direito de se manifestar e cobrar. E é isso que pretendo fazer nas próximas semanas'', prometeu o ex-atacante, com passagens pelo Grêmio, Internacional, futebol português e Paraná Clube.
A diversidade comportamental do Tubarão nos quatro jogos na Série B deste ano despertou a atenção do treinador para a questão. Na estréia, contra o Avaí, o time jogou no 4-4-2. Nos Aflitos, foi goleado utilizando o 3-5-2. Contra o Brasiliense, dia de três estréias, um volante foi improvisado na lateral-esquerda. ''Deu para perceber uma diferença muito grande nestes jogos. Nossa intenção é armar uma equipe organizada, definida e deixar os jogadores tranquilos em relação ao próximo jogo. Acredito que as coisas vão clarear com uma vitória'', ponderou.
O próximo compromisso do Tubarão será dia 22, um sábado, contra o Ituano, no Estádio do Café. Até lá, Caio espera reduzir um pouco o desconhecimento que tem sobre os defeitos e qualidades do elenco. Embaixo da garoa que caiu na tarde de ontem, ele teve seu primeiro contato com os jogadores, período insuficiente para tirar qualquer conclusão. ''O primeiro contato foi positivo, a gente vai conhecendo aos poucos e sentindo a personalidade de cada um. Mas ainda não há condições de avaliar. Acho que de 10 a 20 dias terei uma opinião mais concreta sobre o grupo'', afirmou.
Apesar disso, existem alguns setores do elenco que precisam de reforço. A lateral-direita é um deles. Como Carlos Alberto pegou 120 dias de suspensão por ter agredido um adversário na estréia do campeonato, é bem provável que se contrate alguém para a posição. A curto prazo, a questão será resolvida com uma medida paliativa. O advogado Osvaldo Sestário, que defende os interesses da Futebol Brasil Associados (FBA), entraria na quarta-feira com um recurso no STJD pedindo revisão de julgamento. Se recebido pelo tribunal, o jogador estaria livre para atuar amparado no efeito suspensivo. O STJD tem 60 dias de prazo para deliberar sobre o pedido de revisão.
Durante as próxima semanas, Caio pretende detectar outras áreas que apresentam deficiência técnica. ''Não posso pensar nisto sozinho. Tenho que ouvir o Raul (ex-técnico) e o Lico (supervisor) que acompanham o clube há mais tempo, para depois tirar uma conclusão''. Ele disse que tem alguns nomes, mas admitiu que o teto salarial do clube, R$ 3 mil mensais, pode prejudicar.

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