São Paulo - Fazer gol de falta chutando de muito longe não é um lance de sorte, mas de técnica. Todo grande batedor tem seu estilo particular. Roberto Carlos e Marcelinho Carioca, por exemplo, ajeitam a bola com o bico virado para o gol. Caio, artilheiro do Palmeiras no Brasileirão com oito gols, faz o contrário.
E diz ter certeza de que essa é a explicação para ter um aproveitamento tão bom nos lances de bola parada - até mesmo nos escanteios, como no empate por 1 a 1 com o Santos, sábado, na Vila, quando fez um gol olímpico. ''Eu sempre me abaixo, procuro o bico da bola e o deixo virado pra mim. Pego distância, corro e chuto com o peito do pé. A bola sai forte e com efeito'', explica.
Aliada a essa técnica está a bola do Brasileirão, feita pela Nike, reconhecida pelos jogadores como ''inimiga dos goleiros''. Embora o peso seja o mesmo das outras marcas (cerca de 450 gramas), a bola da Nike pega ''mais efeito'', segundo Caio. Basta lembrar que, no Paulistão, com a bola da Topper, ele fez apenas um gol. No Brasileirão, já foram oito - cinco deles de fora da área.
Aos 21 anos, o meia diz que sempre teve facilidade para chutar forte, mas foi depois de adotar essa técnica do bico virado pra si que seu aproveitamento melhorou. Contra o Corinthians, por exemplo, alçou uma bola cheia de veneno para o zagueiro Nen cabecear e fazer o gol da vitória. Contra o Grêmio, resolveu mandar direto para o gol, apesar da distância superior a 30 metros. A bola pegou efeito e enganou o goleiro Saja. Resultado? Gol do Palmeiras. ''É incrível a capacidade dele de bater bem na bola'', diz o xará e comandante Caio Júnior.
Caio tem jogado tão bem que a diretoria já manifestou o desejo de adquirir seus direitos junto ao Barueri, que o emprestou até dezembro. Por R$ 1 milhão, o Palmeiras vai adquirir 50% dos direitos econômicos sobre o meia e prorrogar seu contrato por mais três temporadas.

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