Cai mais uma campeã mundial
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quarta-feira, 12 de junho de 2002
Agência Folha 
Miyagi - Despedida mais melancólica era difícil. Gabriel Batistuta, 33 anos, era o retrato da desilusão. O atacante, que jogou 78 partidas e marcou 56 gols pela Argentina, despediu-se ontem da equipe. No jogo contra a Suécia (1 a 1), que disse ser o mais importante de sua vida, teve atuação apagada e foi substituído por Crespo. Não fui bem, não criei as jogadas que imaginava, lamentou após chorar em campo.
Mas o resto do time, afirmou Batistuta, não foi tão mal assim: Dominamos o jogo todo, tivemos as melhores chances, mas a bola simplesmente não entrava. Na verdade, a Argentina insistiu muito nos cruzamentos para a área. Foram 64 deles, o recorde em um jogo desde 1986, quando começaram os levantamentos do Datafolha. E o caminho foi escolhido pelo técnico Marcelo Bielsa justamente contra um time excelente pelo alto a Suécia é primeira no ranking de desarmes no ar, 53,3 por jogo. Não é por nada que dos 64 chuveirinhos só dois viraram cabeçadas em direção ao gol, com Sorín nas duas vezes.
Além disso, indo para cima, os argentinos deixaram a retaguarda desguarnecida para ao menos três contra-ataques escandinavos. O primeiro gol do jogo, marcado por Anders Svensson, cobrando falta aos 14 minutos da fase final, aconteceu assim que Batistuta saiu para dar lugar a Crespo.
Em desvantagem no placar, aí sim os argentinos foram de vez para a frente, criando e desperdiçando três boas chances de gol, mas quase sofrendo o segundo aos 39, quando Andersson acertou a trave de Cavallero. Aos 43, no entanto, chegaram ao empate. Jonsson cometeu pênalti em Ortega, o próprio Ortega bateu, o goleiro defendeu, mas no rebote Crespo empatou.
Nos acréscimos, os argentinos tentaram desesperadamente a vitória, mas acabaram deitados no chão, lamentando a eliminação. Enquanto Verón, principal astro argentino, dizia ter sofrido a pior derrota de sua vida, Anders Svensson, goleador escandinavo, afirmava ter sido seu melhor dia.
Antes da Copa ninguém dava nada para a gente, os favoritos eram França e Argentina. No nosso grupo, então, Argentina e Inglaterra, mas quem se classificou e em primeiro fomos nós, festejou o meia do Southampton.
Para Batistura, que diz não ter chance alguma de voltar atrás na decisão de abandonar a seleção, quem vai ganhar a Copa não será nem Brasil e nem Alemanha. Muito menos a Inglaterra. Se fosse apostar, diria que um país diferente, um que nunca levou um Mundial. Qual seria, prefere não arriscar.


