Um ano de vida. Primeiro Campeonato Estadual que disputa com os principais clubes do Paraná. E o título conquistado. Quem diria que um time que acabara de ser fundado alcançaria tal proeza. Pois, em 80, o Cascavel conseguiu. ''Nosso time era imbatível em casa e, além disso tínhamos união dentro e fora de campo. Mesmo que os salários ficassem atrasados nós íamos para o jogo'', conta o ex-atacante Sérgio Ramos.
O campeonato de 80 começou e terminou com muita polêmica. Foi disputado por 20 equipes e, de acordo com o regulamento, oito seriam rebaixadas. O Cascavel foi campeão de um turno e se garantiu na final contra o Colorado, vencedor do segundo turno. ''Ninguém queria que chegássemos nem à final'', lembra Ramos. ''A Federação não imaginava que a gente iria ganhar o primeiro turno'', confirma o ex-centroavante Paulinho Cascavel, ídolo na cidade.
A final foi recheada de rivalidade. Durante o segundo turno, jogando no Estádio Theodoro Colombelli, o famoso ''Ninho da Cobra'', o Cascavel venceu o Colorado por 3 a 0, com direito a um gol do goleiro Zico, que chutou de sua área, a bola quicou no gramado e encobriu o goleiro Joel Mendes, do Colorado. O fato esquentou ainda mais a decisão.
Como a Cobra tinha um melhor saldo de gol, conseguiu a vantagem de poder perder o jogo decisivo por até quatro gols de diferença. Por isso, o time viajou para a capital paranaense com a convicção de que o título já estava garantido. Mas quando o jogo começou, tiveram uma surpresa. Logo aos 5 minutos de jogo o Colorado fez 1 a 0, gol de Jorge Nobre. Logo depois, o atacante Marcos, do Cascavel, foi expulso. O técnico Borba Filho resolveu tirar Sérgio Ramos e reforçar a marcação. De nada adiantou, pois o Colorado fez o segundo gol aos 23 minutos.
Aos 30, Paulinho Cascavel foi substituído e Maurinho foi expulso. ''Eu fui para o vestiário e logo que cheguei lá o Maurinho chegou atrás de mim, expulso, aí complicou tudo'', lembra Paulinho.
Depois de muita discussão, o primeiro tempo terminou 2 a 0 para o Colorado, com o Cascavel com apenas nove jogadores em campo. No segundo tempo, a Cobra voltou para o jogo com apenas sete jogadores, alegando que outros dois estavam contundidos. ''Como nós já tínhamos feito as duas substituições e não podíamos trocar mais, então começou o cai-cai'', revela Paulinho.
Mesmo assim o jogo continuou, mas logo o goleiro Zico também se machucou e o árbitro Tito Rodrigues encerrou a partida. ''Ele (Zico) realmente estava machucado'', garante Sérgio Ramos. O Colorado chegou a comemorar o título e dar a volta olímpica. Já o Cascavel apostava no regulamento, que previa a perda de pontos do jogo e o placar seria considerado somente 1 a 0. Dias depois, após muita polêmica, a Federação Paranaense de Futebol declarou os dois times campeões. (T.M.)

mockup