Cafu diz que continua à disposição da seleção
São Paulo - O lateral-direito Cafu disse ontem que está disposto a continuar jogando na seleção brasileira, e disse que a decisão não cabe a ele, mas ao técnico. ''Em 1998 eu achava difícil chegar à Copa de 2002, e em 2002 eu não sabia se disputaria a Copa de 2006. Agora é a mesma coisa'', afirmou o lateral de 36 anos durante entrevista coletiva na sede da sua fundação, em São Paulo.
Capitão no pentacampeonato mundial, em 2002, e também na fracassada campanha de 2006, quando o Brasil caiu nas quartas-de-final após a derrota por 1 a 0 para a França, ele disse que, independentemente de ficar ou não na equipe, a renovação pode acontecer, mas sem abrir mão de jogadores experientes. ''Sempre que a seleção perde uma Copa se fala em renovação, mas é fundamental contar com gente mais experiente, mais rodada'', afirma.
O jogador se recusou a levar a culpa sozinho, ou ao lado de Roberto Carlos, pelo fiasco na Alemanha. ''Não foi só o Cafu que jogou mal, foi toda a seleção, não tivemos capacidade de reagir depois que a França fez o gol. Talvez o problema tenha sido que o Roberto Carlos não fez quatro gols e eu não fiz cinco, nós não fomos os artilheiros da Copa'', ironizou.
''Nós dois fomos os jogadores que mais corremos'', continuou Cafu. Roberto Carlos, 33 anos, já afirmou que não jogará mais pela seleção. Ele foi apontado como o principal culpado pela derrota, depois de ser flagrado arrumando as meias no lance em que Henry marcou o gol da França. ''Nós não acreditamos que poderíamos vencer o jogo, e depois do gol tivemos uma queda no ritmo'', explicou.
Ataques à imprensa - Cafu reclamou de ter lido na imprensa críticas ao fato de estar mais preocupado em bater recordes pessoais do que com o futuro da seleção na Copa. ''Eu nunca falei espontaneamente dos recordes, eu simplesmente respondia às perguntas que vocês me faziam. Depois que fomos desclassificados é que vieram questionar isso'', atacou o jogador, que durante a Copa ultrapassou Dunga e Taffarel como recordista em atuações pelo Brasil em Copas, com 20 jogos, contra 18 dos recodistas anteriores.
O jogador disse que se recusa a aceitar o rótulo de derrotado ''Minha carreira na seleção tem muito mais vitórias do que derrotas'' e contou que já fez as pazes com Pelé, a quem criticou depois de ouvir que, segundo o Rei do futebol, a seleção campeã da Copa de 70 era melhor que a de 2006. ''Eu já tive a oportunidade de falar com o Rei pelo telefone e tudo já ficou resolvido.''
E se deixou seu futuro na seleção a cargo do próximo técnico, já disse que não tem dúvidas sobre sua permanência no Milan, mesmo que o clube seja rebaixado para a Série B italiana por causa do escândalo de manipulação de resultados. ''Não tenho vergonha de jogar na Segunda Divisão, se o Milan cair eu vou junto.'' (Agência Estado)





