O pedido de dispensa do capitão Cafu após a derrota da Brasil para o Paraguai, anteontem, em Assunção, serviu para aumentar um possível início de crise na Seleção Brasileira. Apesar de não condenar explicitamente a atitude de Cafu, o técnico Wanderley Luxemburgo declarou ontem, durante entrevista coletiva, que se tivesse no lugar do jogador, permaneceria no grupo. ‘‘Acho que como capitão ele deveria ficar até o final. Mas ele tem direito de querer ir para casa ficar com a família. Cada um tem suas próprias posições. Se fosse eu ficaria’’, disse.
Questionado se o atleta poderia deixar o cargo de capitão, Luxemburgo disse que Cafu não vai sofrer retaliações pela atitude de abandonar o grupo e deverá ser convocado para os próximos jogos pelas Eliminatórias para Copa de 2002. Entretanto ele adverte: ‘‘A partir dessa atitude que o Cafu teve, eu tenho o direito de repensar o jogador que deve ocupar a função de capitão.’’
O lateral-direito Cafu, que foi expulso em virtude de duas jogadas violentas contra o Paraguai, foi questionado pela Folha, um dia antes do embarque da Seleção, qual seria a sua postura, como capitão, se o Brasil tomasse um gol logo no início do jogo. ‘‘Primeiro que não estamos pensando em começar a perder o jogo de um a zero, pensamos em sair ganhando. Mas se isso acontecer temos que ter tranquilidade para conseguir reverter o resultado’’, disparou. Logo pela manhã, à 7 horas, o atleta pegou um avião para São Paulo.
O pedido de dispensa do lateral da Roma, da Itália, também repercutiu entre os outros jogadores da Seleção Brasileira, principalmente entre os que jogaram em Assunção. O lateral-esquerdo Roberto Carlos, considerou a atitude do campanheiro um coisa compreensível. ‘‘Errar é humano e ele perdeu a cabeça em um momento de nervosismo. Entendo o que ele passou. Eu conversei com o Cafu, que assumiu que errou’’, disse o jogador do Real Madrid, da Espanha.
Já o volante César Sampaio, homem muito bem cotado para ser o capitão no jogo contra a Argentina, dia 26, no Morumbi, não divergiu de Roberto Carlos em suas declarações sobre o episódio. ‘‘Ele ficou muito chateado com a expulsão e com a derrota do Brasil. O Cafu é importante para o grupo porque ele é uma referência. Ele já jogou duas Copas do Mundo. Só não sei o porque da urgência que ele pediu para ser liberado’’, disse.
Sobre quem ocupará a vaga de capitão deixada por Cafu, Luxemburgo declarou que ainda está estudando com ajuda da comissão técnica um substituto. Além de César Sampaio, Emerson, volante recém-contratado pela Roma, da Itália, pode ser o novo dono da faixa de capitão da seleção nacional. ‘‘Para mim, o capitão ideal teria que ter qualidade técnica e ser um porta-voz dos outros jogadores, mas eu sei que isso não é possível’’, declarou Luxemburgo.
O dia – O coletivo marcado para ontem, às 16 horas, no Estádio do ABC, em Foz do Iguaçu, foi cancelado. Os jagadores tiveram folga de manhã. No período da tarde, os atletas que não participaram do jogo contra o Paraguai fizeram um treino físico e exercício com bola no pequeno campo do Hotel Bourbon, onde o grupo está concentrado. O jogador Ronaldinho, que se recupera de um contusão no joelho direito, treinou normalmente com os companheiros. Os jogadores que atuaram em Assunção fizeram exercícios fisicos na sala de musculação do hotel e foram liberados para conversar com a imprensa.
O técnico Wanderley Luxemburgo manifestou ontem o desejo de antecipar para o próximo domingo a viagem até São Paulo. ‘‘A idéia é essa. Acho que é interessante irmos para lá. Queremos ficar logo expostos ao ambiente de críticas da torcida e da imprensa’’, disse.
A possíveis cobranças de torcedores durantes os treinamentos e coletivos não devem atrapalhar os trabalhos de Luxemburgo. Segundo ele, é evidente que a torcida esteja descontente no momento. ‘‘Sou bem realista. Estamos em baixa de 90% hoje. Eles cobram mais brilho da seleção e temos que buscar esse brilho para eles’’, disse.

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