O atleta londrinense Mário Diniz de Oliveira, 32 anos, realizou no último domingo um sonho: completou os 21 km da Meia-Maratona do Rio, pelas avenidas da orla carioca, no tempo de 1h57min. Pode não parecer grande coisa, principalmente se a marca for comparada à do vencedor, o bicampeão Frank Caldeira, que completou o percurso em pouco mais uma hora. Mas um detalhe a ser ressaltado é que Mário é tetraplégico e competiu de cadeira de rodas.
A conquista teve um gosto especial porque foi a primeira vez que o londrinense se arriscou a correr uma prova de longa distância - ele disputa corridas curtas em pista, de até 200m rasos. ''Para mim, só ter completado foi uma vitória. Pois depois do acidente que sofri há cinco anos, que me deixou só com o movimento dos braços, nunca ia imaginar que um dia estaria correndo de cadeira rodas ao lado de tantos maratonistas conhecidos'', relatou.
Logo no começo da entrevista, ao ser indagado sobre o grau de sua lesão (ele é paraplégico, classificado pela medicina como C-7), Mário perguntou se podia não ser identificado como paraatleta: ''Gostaria que nos chamassem de 'atletas' porque treinamos com a mesma dedicação dos demais esportistas. E quando se fala em paraatleta parece que já se cria uma distinção, dando-se idéia de que a nossa competição não é difícil'', argumentou.
E bastou a reportagem observar por alguns minutos a dificuldade de Mário para se transportar para a cadeira de rodas de corrida para concluir que ele e seus colegas cadeirantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) realmente são não apenas ''atletas'', mas lutadores. ''Para tudo o que precisamos, temos de lutar, não só para conseguir apoios e doação de equipamentos, mas também a adaptação dos espaços para treinarmos na universidade'', comentou Mário.
O londrinense não sente nada do tronco para baixo desde que sofreu um acidente automobilístico em Camboriú, em 2002. Em 2005, decidiu abrir caminho na UEL (onde foi aluno) para o esporte adaptado e começou a treinar atletismo por conta própria nas ruas. Aos poucos, foi ganhando apoio da equipe de atletismo de Londrina e passou a treinar na UEL. Desde o final de 2006 integra também o Grupo de Estudo da Dimensão do Esporte Adaptado, que mantém estagiários dos cursos de Ciências do Esporte e Fisioterapia da UEL atuando com os paraatletas.
Dois deles, Lincoln dos Santos Andrade e Gisele Cristina Gilli, do curso de Ciências do Esporte, trabalham todas as terças e quintas-feiras com Mário. Eles o auxiliam para colocá-lo na cadeira de corrida, repassam os treinamentos e supervisionam o trabalho. ''Eles (paraatletas) são pessoas que se superam e que precisam ter muito mais motivação do que nós para treinar'', elogiaram.

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