São Paulo - No estatuto do Grêmio Recreativo Barueri está escrito que o clube representa o município em todas as federações esportivas. O presidente atual já foi secretário de Esportes da cidade. Na entrada da sede administrativa, que ocupa o oitavo andar de um prédio comercial no centro, está pendurada uma foto do prefeito Rubens Furlan.
Mas a maior preocupação da direção do Barueri é desvincular do clube a imagem de ''time de prefeitura''. O Barueri é o maior fenômeno do futebol nacional desde que o São Caetano foi duas vezes seguidas vice-campeão brasileiro, em 2000 e 2001. Criado em 1989, começou a ter time profissional apenas há sete anos. No próximo ano, debutará na Série A do Campeonato Brasileiro.
''No começo, havia realmente contribuição da prefeitura. Mas com futebol profissional não é possível ficar com dinheiro público. Temos uma Organização Social que oferece 11 modalidades esportivas para crianças carentes. Essa recebe contribuição oficial. O futebol, não'', jura o presidente Walter Sanches, empresário do ramo da construção civil e um dos fundadores do Barueri.
O segredo da ascensão meteórica do clube está numa organização enxuta, que caminha dentro de orçamento determinado e consciente das próprias limitações. E não tem faltado dinheiro. ''Somos um dos cinco clubes brasileiros com superávit no balanço de 2007. O Barueri é um filhote da Lei Pelé'', justifica Sanches.
No ano passado, o clube ficou no azul em R$ 1.467.746,00. Enquanto os demais integrantes da Timemania usam os recursos da loteria para pagar dívidas com o governo, o Barueri recebe sua parte integralmente. A previsão para 2009 é embolsar R$ 299 mil. O clube possui pelo menos quatro diretores formados no curso de Esporte da Universidade de São Paulo. E ainda especialistas na Lei Pelé.
''Eu já joguei em vários times. A estrutura do Barueri é melhor que a de muitos dos chamados grandes. Por que você quer sair de um lugar onde recebe em dia e às vezes adiantado?'', questiona o atacante Diego Silva, que já passou por Cruzeiro e Flamengo. O próximo passo do Barueri é a inauguração de hotel com 15 quartos triplos ao lado do CT Vila Porto, onde a equipe treina.
Orçamento
A mesa de Walter Sanches tem todos os dados sobre o clube, situação financeira e projetos a realizar. E ele não se furta a fornecer nenhuma informação. Para 2009, o primeiro ano em que o time vai disputar a principal divisão do futebol brasileiro, o orçamento do departamento de futebol será de R$ 14 milhões. O patrocínio da camisa está fechado para o Paulistão de 2009, mas no segundo semestre haverá renegociação.
O Barueri segue passos de outras equipes que apareceram no País e tiveram sucessivos acessos, e precisa agora mostrar que é diferente e manter o ritmo de bons resultados. O último exemplo é o do São Caetano, que chegou ao auge em 2002, quando foi vice-campeão da Libertadores, mas entrou em decadência, caiu para a Série B em dezembro de 2008 e não conseguiu voltar à elite nos últimos dois anos.
''Este é um clube diferente. Eles escutam o que os profissionais pensam, trabalham dentro de um planejamento feito com muito cuidado e tem tudo para continuar dando certo'', afirma Márcio Araújo, técnico que liderou o elenco na conquista da vaga na Série A.
Um dos problemas de times que tentam espaço entre a elite do futebol é ter torcida. O Barueri, ao mesmo tempo que tem essa preocupação, sabe que é algo que demanda tempo. ''É coisa de médio e longo prazo. Não podemos dar um passo maior que a perna'', conforma-se o presidente, que paga entre R$ 5,5 mil (em jogos durante o dia) a R$ 7,5 mil (à noite) para utilizar a moderna Arena Barueri, que pertence ao município.
Mas até nesse ponto o futuro se mostra promissor. A média de público do clube na Série B foi de 9.024 pessoas por jogo como mandante, mais do que o Santos, que disputou a Série A e teve 9.013 torcedores em média. Entre os clubes da Série B, apenas Corinthians, Vila Nova e Ceará tiveram médias de público melhores nos jogos em casa.

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