Rio - O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, voltou atrás da decisão de demolir o prédio do antigo Museu do Índio, vizinho ao estádio do Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro. Cabral confirmou ontem que trabalhará para o tombamento e restauro do prédio, construído em 1862. No último sábado, a Defensoria Pública do Estado conseguiu uma liminar no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro impedindo a demolição do prédio e estipulando uma multa de R$ 60 milhões caso o governo descumprisse a decisão.
O plano inicial do governador era demolir o prédio para construir uma área de estacionamentos e um centro de compras anexo ao complexo do Maracanã. O espaço seria cedido à iniciativa privada, que administrará o estádio após a Copa do Mundo de 2014. Sérgio Cabral chegou a alegar que a Fifa havia exigido a demolição do espaço para garantir a mobilidade dos torcedores no acesso aos jogos, o que foi negado pela entidade.
O prédio é ocupado desde 2006 por 23 famílias indígenas que desejam transformar o espaço em um centro cultural. O edifício foi destinado à causa indígena desde 1865, quando foi sede do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão que deu origem à Funai. No local também funcionaram escritórios do Marechal Rondon e Darcy Ribeiro, personalidades políticas ligadas à questão indígena. Ribeiro transformou o espaço, em 1953, em museu, que posteriormente, em 1978, foi transferido para um casarão em Botafogo, na zona sul. Desde então o prédio foi abandonado. (A.E.)

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