Button vence debaixo de temporal na Malásia
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de abril de 2009
Tatiana Cunha<br> Folhapress 
Sepang, Malásia - ''Eu ainda não vi a bandeira quadriculada sem o safety car estar na minha frente'', reclamou, sorrindo, Jenson Button. Reclamou porque o GP da Malásia teve de ser interrompido na 32 das 56 voltas previstas devido ao temporal que caiu em Sepang. E sorriu porque, pelo segundo domingo consecutivo, levou seu Brawn GP à vitória - Nick Heidfeld, da BMW, e Timo Glock, da Toyota, completaram o pódio da segunda etapa do Mundial de F-1.
O resultado está sub judice, já que a FIA irá definir se o uso de difusores por Brawn, Toyota e Williams é legal no dia 14.
O triunfo de ontem, o terceiro da carreira, foi ainda mais especial para o piloto inglês. Como sua equipe só foi confirmada na categoria uma semanas antes da abertura da temporada, mal teve tempo de treinar. Nos sete dias em que esteve na pista durante a pré-temporada, não testou com chuva. ''Foi inacreditável o que conseguimos fazer nestas condições'', disse Button. Ele recebeu a notícia de que tinha vencido pelo rádio, quando estava com seu carro estacionado na reta dos boxes na Malásia. ''Vencer na Austrália não foi fácil por causa dos safety cars. Agora, com as condições do tempo mudando tanto, as coisas foram ainda mais difíceis.''
Mas não foi só por ter conquistado a vitória sob chuva que o piloto da Brawn, ex-Honda, festejou tanto o resultado.
Apesar de sair da pole, Button largou mal e caiu para terceiro. Nico Rosberg, da Williams, quarto no grid de largada, assumiu a liderança da prova, seguido por Jarno Trulli, que manteve o segundo posto.
As posições seguiram assim até que, mais leve, Rosberg foi o primeiro a parar nos boxes, na 15 volta. A esta altura, Button mantinha-se em terceiro, mas apenas 1s6 atrás do alemão.
Duas voltas depois, foi a vez de Trulli parar e ceder a ponta ao inglês, que cravou a melhor volta da corrida antes de fazer sua parada e voltar apenas atrás de seu companheiro, Rubens Barrichello. O brasileiro ficou em primeiro apenas um giro, até fazer seu pit stop e devolver a liderança a Button.
Foi aí que começou a chover e grande parte das equipes errou. Na 22 volta, com os primeiros pingos caindo, os 15 mais bem colocados foram aos boxes. A maioria colocou pneus para chuva extrema. Glock, que era o 11º, e Heidfeld, então em sexto, escolheram os intermediários. E se deram bem.
A chuva demorou a se intensificar e os pneus de molhado se degradavam rapidamente.
Vendo o bom desempenho de Glock, que cinco voltas depois já era o quinto colocado, pouco a pouco os pilotos começaram a retornar aos boxes para colocar os compostos intermediários. Com uma boa folga na ponta, Button parou na 29 volta, quando Glock já era o segundo e Heidfeld, o terceiro.
No giro seguinte, porém, a chuva apertou e um festival de rodadas começou. Alguns pilotos ainda trocaram os pneus novamente, o safety car foi à pista, mas não havia mais condições de continuar a corrida.
Os pilotos ainda esperaram 50 minutos estacionados na pista até que a direção de prova resolvesse suspender o GP, o primeiro a acabar assim desde a prova da Austrália-91, quando só 16 giros foram completados. ''Quando o safety car está tirando 20 segundos de você por volta, isso significa que está muito molhado para um carro de F-1'', declarou Button.
Assim como os demais pilotos que terminaram na zona de pontuação, o inglês só recebeu metade dos pontos - cinco - porque a prova foi encerrada antes de completar 75% das voltas previstas.


