Busca por ingressos já foi mais difícil
Até a Copa de 2002, na Coreia do Sul e Japão, conseguir ingressos com antecedência para qualquer jogo era tarefa difícil. A Fifa terceirizava a venda pensando em privilegiar os negócios das agências de viagens, mas os cambistas faziam a festa. Não era difícil encontrar, mas o preço era sempre maior e corria-se o risco do ingresso ser falso.
Desde 2006, a compra de ingressos funciona pelo site da Fifa, onde os usuários devem se cadastrar. Dois anos antes da Copa os primeiros lotes são liberados. É possível simular o trajeto que cada seleção percorrerá até chegar à final. Mas só dá para comprar com certeza depois do sorteio das chaves, que acontece pouco mais de seis meses antes do campeonato, quando a Fifa libera outro lote.
''Se o país for sede da Copa, ele será o cabeça de chave do grupo A. Só assim dá para comprar no primeiro lote, com antecedência e sem errar'', explica Ari Sudan Júnior que já está cadastrado no site e espera ansioso por 2012, quando a Fifa vai liberar a primeira remessa de ingressos para a Copa no Brasil, que acontecerá dois anos depois. ''É uma coisa que pouca gente sabe e vai fazer diferença na hora que a Copa for aqui'', ressalta.
Sudan Júnior conta que pagou US$ 100 por cada ingresso, o que equivale a quase R$ 180, mas dependendo do setor o valor pode variar entre US$ 150 e US$ 200. ''Todos os jogos são o mesmo preço. Acho interessante porque eles não aumentam o valor em função da seleção que vai jogar. Eles mudam de acordo com cada fase. Daí sobe para uns US$ 150, ou mais, dependendo do setor. Se você for ver que é a Copa, até que não é caro. Dá para encarar'', afirma.
Mas vida de quem gosta de viajar para a Copa já foi mais cara. Os aventureiros tinham como opção apenas os cambistas, pois a Fifa privilegiava quem ia por agências. O advogado Antônio Carlos Belozzo Marcondes se recorda que na Copa de 1998, na França, quem optou pelos pacotes das agências de viagens viveu um contratempo protagonizado pela Fifa que deixou alguns turistas sem ver a estreia do Brasil.
''Como eles (Fifa) terceirizaram uma parte das vendas de ingressos, eles perderam a conta e muita gente que foi por agência ficou sem ver a estreia do Brasil. Teve quem pagou e não recebeu o ingresso'', lembrou citando que até hoje correm processos na justiça contra o órgão máximo do futebol mundial devido a esta falha.
Cambistas
Já o médico Flávio Dantas Canário foi três vezes para a Copa: na Itália, em 1990, nos Estados Unidos, em 1994, e na França, em 1998. Ele explica que na primeira vez foi por agências de turismo e não teve contratempo com ingressos. Mas, nos Estados Unidos, ele se recorda que nas mãos dos cambistas os preços variavam entre US$ 200 e US$ 400. ''Não era tão difícil encontrar, mas a final custava até US$ 1 mil''.
Mas como a Copa do Mundo reúne gente de todo o mundo e reserva muitas surpresas, Canário conta um episódio que salvou sua vida para assistir à final entre Brasil e Itália, em 1994. ''Quando acabou o jogo contra a Holanda pelas quartas de final havia um grupo de holandeses perto de mim. Muitos tinham os ingressos da final, mas como a tinham perdido para o Brasil ficaram tão tristes que não queriam nem vender. Assim eu ganhei o meu. Foi maravilhoso'', arremata. (R.O.)





