Busca de ingresso vira drama na vida do torcedor
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domingo, 13 de junho de 1999
Por valéria Zukeran 
São Paulo, 14 (AE) - Frio, fome, chuva, empurra-empurra, sono, brigas, broncas da polícia e cerca de nove horas de espera. Foi este o drama enfrentado pelos torcedores do Palmeiras que buscavam ingressos para assistir à disputa do título inédito de campeão da Taça Libertadores da América. A equipe enfrenta quarta-feira o Deportivo Cali, da Colômbia. Segundo estimativas da polícia, aproximadamente 40 mil pessoas estiveram hoje, no Parque Antártica, disputando os 32 mil ingressos disponíveis.
A fila para a compra das entradas começou a ser formada às 16 horas de domingo e vários torcedores que assistiram à derrota do time para o Corinthians aumentaram o grupo no início da noite. Cerca de 50 pessoas passaram a madrugada na porta dos guichês tentando garantir um ingresso.
Às 8 horas da manhã, a fila já atingia cerca de dois quilômetros; três horas depois, havia ganho mais outro quilômetro, completando duas voltas na quadra que abrange todo o Parque Antártica e o Shopping Center Matarazzo. Dentro do clube, 2 mil sócios também buscavam entradas em uma das maiores movimentações da torcida palmeirense.
Polícia - Pela manhã, cerca de 50 policiais trabalhavam na organização da fila. Os problemas surgiram a partir das 8h15, quando os ingressos começaram a ser vendidos. Os torcedores, impacientes, passaram a aglomerar-se ao chegar próximo do portão principal do Parque Antártica. Foi preciso que a PM contasse com a ajuda de funcionários do clube e torcedores para conseguir conter a multidão.
Por volta de 11 horas, temendo tumulto, a PM recebeu mais 50 homens que reforçaram o efetivo. Três horas depois, quando os ingressos começavam a esgotar-se, 20 homens da cavalaria e outros 20 soldados chegaram, completando o grupo de 140 pessoas trabalhando para controlar a entusiasmada e nervosa multidão de palmeirenses lutando por um ingresso.
Fiscalização - A luta por uma entrada fez com que o Parque Antártica vivesse cenas inusitadas. Qualquer um que se aventurasse a furar a fila era agarrado e solenemente expulso pelos outros torcedores que passaram a noite no local. Integrantes de torcidas organizadas, normalmente inimigos da polícia, ajudavam a corporação na organização da fila no início da manhã.
Cambistas corriam risco de agressão. Quando havia suspeita de que alguém tentava revender ingressos era logo cercado por uma pequena multidão e "revistado". Entradas extras eram "confiscadas". Para diminuir o desconforto de idosos, gestantes e pessoas com crianças de colo foi formada uma outra fila para atendimento. Muitos torcedores contaram com a ajuda do pai, mãe ou avós, que permaneceram sob a chuva para conseguir um ingresso.
A chuva, que começou no início da tarde, ajudou a polícia a dispersar a multidão. Após as 16 horas, o ambiente misturava a alegria dos torcedores que conseguiram ingresso com a decepção dos que só poderão ter a chance de ver o time disputar o título de campeão da América do Sul pela TV.


