A Jaguar Racing confirmou o nome do brasileiro Luciano Burti (foto), 25 anos, para assumir a vaga de Johnny Herbert na temporada de 2001 da Fórmula-1. ‘‘Meu contrato é de um ano, com possibilidade de extensão para mais um, e vou dar o melhor de mim nas pistas’’, afirma Burti. ‘‘Mas se conseguir chegar perto de Irvine (Eddie Irvine, o primeiro piloto da Jaguar) já está ótimo’’, completa.
Ele sabe que o ano que vem não será nada fácil. ‘‘Sei que todos pilotos enfrentam dificuldades e comigo não será diferente, ainda mais que não conheço todas as pistas’’, revela. O piloto diz que vai jogar muito GP (game que simula o campeonato de F-1) para aprender o traçado de todas as pistas, onde ainda não teve o prazer de pilotar, como a do Japão e da Malásia.
Luciano Burti começou no kart, foi para a Fórmula 3 e decidiu investir na carreira de piloto de testes da F-1. ‘‘Foi pura teimosia minha, já que a maioria dos pilotos sai da F-3 ou da F-3000 direto para a F-1. Eu preferi aprender um pouco mais sobre o circo da F-1, a politicagem, como funciona a imprensa e estar em todos os GPs. Não sabia se haveria uma vaga para mim na F-1 em 2001, mas arrisquei e deu certo’’, argumenta. Até o final desta temporada, Burti continuará como piloto de testes da Jaguar.
O jovem piloto está trabalhando com a Jaguar desde 1996. ‘‘Sou o primeiro piloto que Jack Stewart levou de baixo até a F-1 e nosso relacionamento é muito bom’’. Jack Stewart deixou a direção da Jaguar no ano passado e hoje é conselheiro técnico da escuderia. Ele diz também que tem um ótimo relacionamento com Herbert. ‘‘Ele sabe que não estou na Jaguar para tirar o lugar dele’’, afirma. Herbert vai se aposentar no final desta temporada.
Além do talento nato, Burti contou também com a sorte do seu lado para conseguir esta tão sonhada vaga na F-1. No último GP da Áustria, o piloto Eddie Irvine ficou doente e na última hora Burti foi comunicado que iria correr em seu lugar. ‘‘Tive a pior situação possível, andei só no sábado e, como o carro quebrou, só pude dar cinco voltas; fui direto para a tomada de tempo e consegui me classificar; senti tudo junto, medo, felicidade, ansiedade e tensão’’, lembra.
Tranquilidade – Burti, com sua calma característica, conseguiu terminar a prova. Largou pensando que era só uma corrida de testes, se concentrou e bolou a estratégia da corrida inteira antes da primeira curva. ‘‘Minha volta mais rápida foi a penúltima, o que provou que não me desgastei fisicamente, nem suei muito e acho até que daria para dar mais umas 20 voltas’’, avalia.
O piloto brasileiro sabe que não pode se deixar levar pela cobrança de torcedores e da mídia nacional. ‘‘A torcida pode ter certeza que vou dar tudo para me tornar um vencedor na F-1, mas não é na primeira corrida que eu vou mostrar isso. É um processo longo, que envolve aprendizado, paciência e muito, mas muito trabalho.’’
Quanto ao boato de que o piloto Bruno Junqueira, atual campeão da F-3000 (está acertando com a equipe Chip Ganassi de F-Indy), teria dito que não entraria na F-1 caso outro brasileiro também entrasse, Burti disse não ter conhecimento. ‘‘Acho muito difícil minha entrada ter algo a ver com isso, ele é muito talentoso e arrumaria uma vaga, independente de eu entrar ou não’’, descarta.

mockup