Duisburg - Capitão da seleção campeã do mundo em 1982, Dino Zoff foi homenageado com sua imagem estampada num selo. Não chega a ser um sonho de Gianluigi Buffon. A 64 minutos de bater o recorde de outro italiano, Walter Zenga, que na Copa de 1990 ficou 517 minutos sem sofrer gol, ''Gigi'' se sentiria realizado de vencer a França em Berlim e poder tocar a taça Fifa, um troféu valoroso como a camisa 12 do Parma que usou em sua estréia na Série A e as luvas que ganhou de Taffarel. Com a simplicidade de quem torna o impossível parecer uma questão de bom posicionamento e elasticidade, Buffon lida com a possibilidade de repetir o feito de Oliver Kahn e ganhar a bola de ouro do Mundial da Alemanha.
''Estou orgulhoso, mas a característica desse time é o espírito coletivo, não as individualidades'', disse. ''Quero ser campeão''.
Mesmo que não seja eleito o craque da Copa, prêmio ao qual concorrem também Zambrotta, Cannavaro e Pirlo, Buffon é, sem sombra de dúvida, o melhor goleiro do Mundial. Nas estatísticas da Fifa, ele divide com Ricardo, de Portugal, o primeiro lugar entre os que mais trabalharam, com 23 defesas. A vantagem do italiano é ter sofrido até aqui apenas um gol contra dois do português marcado não por um adversário, mas pelo zagueiro Zaccardo, contra, no empate com os Estados Unidos.
Aos 28 anos, na seleção há quase dez, ele e o zagueiro Cannavaro são os pilares de um sistema defensivo reconhecido internacionalmente pelo seu padrão de qualidade e segurança. ''Há partidas em que você torce para que o adversário não chute muito'', confessa.
Assim como a maioria dos italianos que antes da Copa viram o futebol nacional mergulhar num mar de lama em função do escândalo na liga doméstica, Buffon admite que não imaginava que o time seria capaz de dar vôos tão altos. Hoje, quase dois meses depois do início da preparação, ele sorri e diz que tudo de ruim que poderia surgir aconteceu antes do Mundial. Após quatro jogos em que foi alvo de críticas pesadas, principalmente da imprensa alemã, a Itália cresceu ao vencer a Ucrânia e se agigantou ao eliminar a Alemanha numa das melhores, senão a melhor partida da Copa.
A partida contra a França reunirá oito jogadores da Juventus, clube de Buffon. Três deles o zagueiro Thuram, o volante Vieira e o atacante Trezeguet estarão do outro lado. A ausência de Trezeguet, reserva no time de Raymond Domenech, foi celebrada pelo goleiro como uma vantagem italiana, ainda que Zinedine Zidane esteja em sua linha de frente. ''Todos pensavam que o Henri seria o grande nome da França, mas nos últimos três jogos o Zidane mostrou que é o melhor jogador. Seria melhor não cruzar com ele''. (Agência O Globo)

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