Ele se considera um camaleão do esporte. Já foi medalha de prata nas Olímpiadas de 1984, conheceu os bastidores do mundo da Fórmula 1 e participou do primeiro projeto de co-gestão entre uma multinacional e um clube brasileiro de futebol. José Carlos Brunoro, 52 anos, paulista de Santo André, é a personificação da pessoa que sempre busca novos desafios e nunca perde oportunidades de ampliar seu arsenal de conhecimentos esportivos. ‘‘Tenho muito orgulho de ser uma das únicas pessoas que desenvolveram um trabalho no esporte com tanta vivência. Não caí no esporte como pára-quedista, amo o que faço e quero continuar aprendendo sempre’’, confessou.
Brunoro, atualmente proprietário de uma empresa de gerenciamento e marketing esportivo, a Brunoro e Cocco Sport Business, um de seus grande sonhos profissionais, tem um currículo invejável, que reúne experiências como técnico da seleção masculina de vôlei, diretor esportivo da Parmalat e manager de um piloto de Fórmula 1. ‘‘Sempre que entro em um novo projeto meu objetivo é deixar uma contribuição e não apenas fazer as coisas por elas próprias’’, enfatizou.
Talvez o ápice de sua eclética carreira tenha sido o período em que integrou a comissão técnica da seleção brasileira de vôlei. Em 80, foi convidado a assumir o posto de auxiliar-técnico do time que ficaria eternamente conhecido como a ‘‘geração de prata’’ do vôlei nacional. Ao lado de Bebeto de Freitas, Brunoro comandou a seleção no Mundial de 82 na Argentina. Na oportunidade, o Brasil acabou perdendo da decisão diante da quase imbatível seleção da União Soviética, campeã olímpica em Moscou (80), com Savin e Zaitsev.
Já em 84, em Los Angeles, a geração de Renan, Willian, Montanaro e Bernard entraria definitivamente no grupo de elite do vôlei mundial com a conquista da medalha de prata, perdendo a final para o Estados Unidos. ‘‘Sinto muitas saudades daquela época, mas uma saudade gostosa, uma satisfação de ter contribuído com o crescimento do vôlei no País’’, disse. Brunoro lembra da época com satisfação. ‘‘A partir daquela geração o Brasil abriu os olhos para os outros esportes. Antes o país valorizava demais a cultura futebolística. Hoje o vôlei está consolidado’’, ponderou.
Mesmo oficialmente longe das quadras, Brunoro faz questão de acompanhar, mesmo que informalmente, o desempenho do Pão de Açucar/São Caetano, equipe comandada por seu ex-jogador, o levantador Willian. ‘‘Quando vou aos jogos sofro bastante nas arquibancadas e acabo indo embora antes do fim das partidas’’, lembra.
O estilo do vôlei mundial mudou muito, segundo Brunoro. A plasticidade deu lugar a um jogo mais forte e pragmático seguindo uma tendência mundial que privilegia um alto nível de competitividade esportiva. ‘‘Hoje o vôlei masculino está voltado para a força. Os times estão mais preocupados com a incidência de acerto e deixam de ousar e usar a criatividade. Nosso time, na década de 80, era um dos mais baixos do circuito mundial, mas vencia os obstáculos através da criatividade’’, exemplificou.

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