Bruno Senna espera chegar à F-1 em 2009
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de janeiro de 2008
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
O piloto paulista Bruno Senna, 24 anos, sonha em reeditar um pouco do sucesso que o seu tio, o lendário Ayrton Senna, obteve na Fórmula 1 entre as décadas de 80 e 90. Mas para isso, o herdeiro do ''trono'' de Senna precisará primeiro chegar à F-1, tarefa nada fácil para um piloto que começou a correr somente aos 20 anos.
Bruno completou seu terceiro ano nas pistas, mas em 2007 já correu a primeira temporada na GP2, categoria de acesso à F-1. Como sua equipe (Arden) não lhe garantiu os resultados que esperava, Bruno decidiu assinar com um time mais forte para 2008, a iSport, que fez o campeão da temporada atual, o alemão Timo Glock.
O alemão foi ''promovido'' à Fórmula 1 - irá correr este ano pela Toyota - e sua vaga na iSport será ocupada pelo brasileiro. ''Com essa nova equipe terei chances de brigar pelo título da GP2 e espero, sem modéstia, ficar entre os dois primeiros para chamar a atenção da Fórmula 1 e conseguir um espaço na categoria em 2009'', projeta.
Nesta entrevista exclusiva à FOLHA, por telefone, o sobrinho do tricampeão mundial falou sobre os planos para o futuro, mas também confidenciou dados interessantes sobre sua família, a curta carreira e as pressões que sofre pelo fato de carregar o sobrenome poderoso de Ayrton Senna, campeão mundial em 1988, 1990 e 1991.
FOLHA - Por que você começou tão tarde para os padrões do automobilismo?
Bruno Senna - Não foi opção minha, foi uma imposição da família, principalmente da minha mãe (Viviane Senna), que tinha um medo muito grande de perder mais alguém da família no automobilismo. Quando o Ayrton morreu eu tinha apenas 10 anos e não podia decidir por mim. Além disso, foi um choque para todos (o acidente, ocorrido em 1994, foi no circuito de Ímola, em San Marino). Com isso, tive que abandonar a idéia de correr.
FOLHA - Você correu antes dos 10 anos?
Bruno - Sempre gostei, porque era incentivado pelo meu avô Milton, o pai do Ayrton. Desde pequeno ele me levava ao sítio da família, em Tatuí (SP), para correr de kart. Comecei com uns 5 anos e depois do acidente tive que parar. Mais recentemente, ao completar 18 anos, disse para minha mãe que queria voltar a correr. Ela resistiu, mas viu que não tinha jeito.
FOLHA - Como foi esse retorno?
Bruno - Comecei fazendo uns treinos de Fórmula 3 aqui no Brasil e em maio de 2004 fui para a Inglaterra fazer testes na Fórmula BMW. Quem me apresentou lá na Europa foi o Gerard Berger, que tinha sido companheiro do Ayrton na McLaren entre 91 e 92. Em 2005 fiz minha primeira temporada inteira, na F-3 Inglesa, pela equipe Raikkonen Robertson Racing, que tem o Kimi Raikkonen como sócio. Foi um ano difícil, em que tive que aprender realmente a pilotar. Achava que só ser rápido era o suficiente. E não é. Já em 2006, tive uma temporada melhor com a mesma equipe na F-3. Consegui ganhar cinco corridas de um total de 22, terminando em 3º no campeonato. Com esse desempenho, vim para GP2 em 2007 e terminei em 8º.
FOLHA - Ter começado tarde foi complicado?
Bruno - Com certeza. Tive que tirar o prejuízo em muito pouco tempo, ou seja, tirar a desvantagem em relação à molecada em termos de pilotagem. Todos os que correm comigo estiveram a vida toda no automobilismo. Tiveram a experiência que não tive. Por outro lado, isso me fez esforçar muito mais e hoje estou conseguindo 'dar pau' neles.
FOLHA - O peso do sobrenome do Ayrton mais ajuda ou mais atrapalha?
Bruno - Ele é muito importante porque me ajuda em termos de negociação. Poucos pilotos hoje podem ter o privilégio de ter patrocinadores individuais. A publicidade que eu gero me garante autonomia e me permite alçar vôos e correr na categoria que acho melhor.
FOLHA - Mas tem o outro lado também...
Bruno - É claro. Em função do começo díficil no automobilismo me tornei notório muito antes de ser bem-sucedido, por causa dessa vinculação ao nome do Ayrton. Um acidente que seria normal com qualquer iniciante quando acontecia comigo era motivo de grandes comentários e críticas. No começo fui muito cobrado quando cometia erros na pista. Mas estou buscando fazer uma carreira independente e acho que estou numa evolução muito boa.
FOLHA - Quando espera chegar à Fórmula 1?
Bruno - Se possível em 2009. Para isso vou lutar para fazer um grande ano na GP2 em 2008. No primeiro semestre quero ser campeão da GP2 Ásia (que terá provas duplas na Malásia, Indonésia, Dubai e Bahrein) para começar com tudo a temporada européia da GP2. E se for campeão estarei na F-1 em 2009. Todos os últimos campeões da categoria subiram para a Fórmula 1: Nico Rosberg, Lewis Hamilton e agora o Timo Glock.


