São Paulo - A relação entre irmãos costuma apresentar muitas facetas. Alguns são amigos, outros são rivais, outros se complementam. A última descrição se aplica ao piloto Bruno Senna e sua irmã, Bianca. Além da união natural gerada pela vida familiar, os irmãos são grandes parceiros na vida profissional.
Bianca é atualmente empresária de Bruno e o acompanhou em boa parte da carreira que antecedeu sua chegada à Fórmula 1. Conhece suas histórias, até mesmo como o irmão conseguiu convencer a família a deixá-lo seguir carreira no automobilismo. ''Na verdade ele nunca pediu para correr'', contou Bianca.
De acordo com ela, o irmão era tão sensível aos efeitos da decisão na família - em especial a mãe e os avós - que preferiu evitar o sofrimento de todos. Afinal, o tio, Ayrton, morreu em 1994 durante o GP de Ímola e o pai, Flávio Pereira Lalli, dois anos depois, em um acidente de moto.
''Mas minha mãe é muito sensitiva. O Bruno já estava na faculdade quando ela começou a sonhar com ele seguidas vezes'', comentou Bianca. Impressionada, Viviane foi conversar com o filho. ''Ela perguntou a ele o que pretendia fazer da vida. Ele respondeu: 'Vou estudar para ser um bom empresário e cuidar dos negócios da família. Depois vou correr (como um hobby)'. Minha mãe ficou totalmente surpresa com a resposta porque jamais havia mencionado nada a respeito''.
Viviane percebeu que estava diante do dilema de impedir o filho de seguir sua vocação e tomou uma decisão. ''Ela chegou para o meu irmão e perguntou: 'Você quer correr? Se é o que você quer, ser piloto, vamos apoiá-lo''', relatou Bianca. E foi assim que a carreira de Bruno Senna no automobilismo começou. A irmã conta que foi um pouco difícil para os avós se acostumarem com a ideia. ''Nas primeiras corridas, minha avó ligava para o Bruno para dar conselhos, como fazia com meu tio. Meu avô até hoje disfarça, faz que não liga, mas sabe tudo o que acontece com ele''.
A decisão de seguir carreira no automobilismo serviu para unir mais Bruno e sua irmã. ''Desde o começo, por causa dos antecedentes de família, ele sempre foi muito assediado. Então, quando se mudou para a Inglaterra, fui morar com ele para ajudar a organizar as coisas fora da pista. A coisa foi fluindo até que um dia me perguntaram se eu era empresária do meu irmão. Eu era meio que o tipo mil e uma utilidades e me dei conta de que, naquela altura, era empresária dele''.
As decisões de carreira, no entanto, nunca foram tomadas de maneira unilateral. ''Temos um hábito de família que é nos reunirmos à mesa pelo menos uma vez por semana para falarmos do nosso dia a dia. Cada um expõe o que fez durante a semana, se alguém tem um problema, discutimos o assunto e resolvemos de comum acordo''. Bianca conta que nunca há briga. ''Tudo é resolvido em termos de consenso''.
Bianca afirma que a convivência com o irmão é harmônica. ''Brigas? O máximo é eu falar tipo 'Bruno, dá um tempo!' ou vice-versa. Mas logo depois já estamos conversando sobre algo que temos de resolver e tudo passa''. O irmão, segundo ela, é do tipo tranquilo. ''Ele é capaz de tirar um cochilo antes de uma corrida, difícil sair do sério''.
Bianca, no entanto, diz que a tranquilidade não quer dizer falta de pulso. Relembra, por exemplo, a contratação pela equipe Campos. ''Esse tipo de negociação é sempre complicada. Tem horas que a gente quer sair da mesa, se estressa. O Bruno, no entanto, ficou quatro dias inteiros sem levantar. Mas, quando ele levantou da mesa, todo mundo parou para ouvir o que ele tinha a dizer'',
Bianca diz que, inicialmente, continuará cuidando sozinha dos interesses do irmão. ''Vou ver como as coisas serão e gradativamente me adaptar. Devo acompanhar algumas corridas, não todas''. Porém Bruno sabe: se precisar, terá a irmã por perto para compartilhar todos os momentos.

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