São Paulo - Resignado com a exclusão da classe Star do programa olímpico de 2016, Bruno Prada, proeiro de Robert Scheidt nas últimas duas edições da Olimpíada, resolveu recomeçar aos 41 anos. Ele se reinventou como velejador da Finn e planeja conquistar sua terceira medalha olímpica nos Jogos do Rio, dessa vez em voo solo.
Bruno Prada, que tem no currículo a prata dos Jogos de Pequim/2008 e o bronze de Londres/2012, sempre ao lado de Scheidt na classe Star, já velejou antes na Finn, na qual conquistou o bronze nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em 99. Determinado a se readaptar, ele soma seus esforços aos de Jorge Zarif, que representou o Brasil na Finn na baía de Weymouth, sede das provas olímpicas de vela na última Olimpíada.
"O Jorginho ficou muito chateado com o resultado dele na Olimpíada (20º lugar). E uma das causas, na opinião dele, foi a falta de parâmetro, a ausência de um companheiro de treinos para trocar ideias sobre regulagens do barco, por exemplo. Por esse motivo estamos treinando juntos", contou Bruno Prada, ao comentar sobre o trabalho com Zarif.
Como a fase de vacas magras do esporte olímpico brasileiro já foi superada, não faltam recursos. Um projeto dos dois foi contemplado pelo Ministério do Esporte. O Banco do Brasil direciona recursos, aproveitando a lei de incentivo fiscal. Assim, a dupla recebe orientação de ninguém menos do que Rafael Trujillo, espanhol que foi campeão mundial em 2007 e vice-campeão olímpico em Atenas/2004. "Ao lado do Bruno, o treinamento rende muito mais. Eu tinha muita dificuldade para escolher a melhor regulagem e o melhor material", explicou Jorginho.
Bruno Prada, que se livrou de dez quilos para poder velejar melhor na Finn, comemora a oportunidade de voltar a mostrar seu valor, agora sem ser ofuscado pelo protagonismo de Scheidt. Por outro lado, a interrupção de um projeto que visava ao ouro olímpico na Star provocou uma frustração que ainda não foi totalmente assimilada. "Eu e o Scheidt ganhamos tudo juntos, mas ficou faltando o ouro olímpico. Existe um trabalho inacabado aí, por isso ficou uma certa desilusão", admitiu.
Em novembro, o congresso anual da Federação Internacional de Vela (Isaf) vai reexaminar a proposta encaminhada pelo Brasil para inclusão da Star no programa olímpico de 2016. As chances de sucesso são reduzidas. Na hipótese de a classe voltar à Olimpíada, Bruno Prada não sabe o que fará. "É uma boa pergunta. Não sei o que faremos. Teremos de nos sentar e discutir o assunto", afirmou.
Bruno Prada conquistou o título da Semana de Vela do Rio, no último fim de semana, com Jorginho Zarif em segundo lugar. De 18 a 20 deste mês, na represa Guarapiranga, em São Paulo, os dois voltam a testar seu nível no Campeonato Brasileiro da Finn.

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