Ter pai famoso tem seu preço muitas vezes. Destaque da nova geração do vôlei masculino, um jogador brasileiro sentiu na pele as consequências de ocupar uma vaga que até então era de um ídolo na seleção dirigida pelo pai. Após o polêmico corte do levantador Ricardinho, em 2007, Bruninho ganhou uma vaga na equipe. Na época, os comentários maldosos foram muitos. Ele superou a desconfiança e mostrou que Bernardinho estava certo em apostar no filho.
Dentro de quadra, porém, Bruninho, levantador do atual tetracampeão nacional, Cimed/Florianópolis, e da seleção, foi bem recebido pelos companheiros. Nada de preconceito. ''De forma alguma. Todos me respeitam, até porque eu nunca me senti diferente ou merecedor de algum privilégio. Eu sou filho do Bernardinho e tenho muito orgulho disso. Mas, durante os treinos e jogos, sou apenas o Bruno, atleta como todos os demais'', disse à FOLHA. ''Tem os dois lados. Um é a extrema responsabilidade de ter que provar, todos os dias, que você não está no time porque é o filho do homem. Por outro lado, tenho o privilégio de estar perto do meu pai durante boa parte do ano, mesmo quando estamos trabalhando'', completou.
Tendo tanta inspiração dentro de casa, ele conseguiu chegar à condição de atleta de ponta. ''Meu pai é um grande referencial, seja como esportista, como profissional e como homem. Vendo ele jogar e trabalhar como técnico, eu procurei conhecer o melhor caminho para minha carreira e, a partir daí, me esforcei para alcançar meus objetivos''.
O levantador, cuja a mãe, Vera Mossa, também foi jogadora de vôlei, conta que não é fácil ser filho de Bernardinho e jogador dele. Obstinado pela perfeição e pelas vitórias, o pai/técnico cobra e muito todos os seus atletas, mas será que com Bruninho é ainda pior?. ''Acaba sendo, né. Você já foi a algum jogo, seja de futebol, vôlei ou outra modalidade, e ficou perto de um pai enquanto o filho dele está jogando? O cara fica nervoso, procura dar instruções para o garoto. É claro que aqui na seleção as coisas são totalmente profissionais e ele (Bernardinho) tem que se conter'', reconheceu.
Essa busca pela perfeição foi também uma das principais heranças de Bruninho. ''Sempre procurei me espelhar no meu pai. Mas acho que uma coisa que recebi dele e sempre utilizo em minha carreira é a busca incansável pela perfeição. É achar que sempre é possível melhorar, mesmo nos momentos de conquista'', apontou. (T.M.)

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