Briga em Spa ameaça a segurança de pilotos
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segunda-feira, 31 de agosto de 1998
Das agências 
Tudo o que a Fórmula 1 espera é que a briga Michael Schumacher x David Coulthard não se estenda para o treino livre que começa ainda hoje em Monza. O diretor do tradicional autódromo, Enrico Ferrari, pediu ontem que os dois pilotos, bem como os dirigentes de suas equipes, Ferrari e McLaren, usem o bom senso. Ele teme represálias dos fãs de Schumacher à ação de Coulthard no GP da Bélgica, domingo. O piloto alemão o acusou de deliberadamente tentar matá-lo.
A preocupação é geral com o que pode acontecer a partir de hoje em Monza, quando várias equipes iniciam testes visando a próxima etapa do Mundial, o GP da Itália, dia 13. Apenas dois dias se passaram desde que Schumacher liderava a prova de Spa, e Coulthard, retardatário, teria provocado o acidente entre os dois, tirando a chance de o alemão e a Ferrari passarem para o primeiro lugar no campeonato. Enrico Ferrari recomendou à direção da McLaren que procurasse a polícia italiana e uma empresa de segurança para garantir que nada de mais grave possa acontecer em Monza nos treinos e durante a disputa do GP.
Na saída do autódromo belga, domingo à noite, os fãs de Schumacher atiraram latas de cerveja no carro de Coulthard. A informação foi passada por Norbert Haug, diretor esportivo da Mercedes. A marca alemã, que lançou Schumacher na Fórmula 1, exigiu ontem um pedido de desculpas de seu ex-piloto pela tentativa de agressão em Coulthard, depois de abandonar a competição na volta 25. Isso acalmaria a situação, declarou Haug.
O dirigente acredita que se Schumacher mantiver a acusação sobre o piloto da McLaren, reiterando que a Ferrari só não lidera o Mundial porque o escocês agiu com o propósito de tirá-lo da corrida, algo de muito sério pode acontecer em Monza, templo dos fãs da Ferrari e agora, por extensão, de Michael Schumacher.
Alguns pilotos, entre eles o vencedor do GP da Bélgica, Damon Hill, da Jordan, e chefes de equipe da Fórmula 1 solicitaram ontem à Federação Internacional de Automobilismo (FIA) uma investigação urgente sobre a segurança do circuito de Spa-Francorchamps, em especial quando os GPs são disputados sob chuva. No seco, Spa já é uma pista perigosa; no molhado seus riscos se tornam absurdos, disse Hill, campeão do mundo de 96. A visibilidade em alguns momentos da competição era zero, só que estávamos a 160 milhas por hora (cerca de 260 km por hora).
Historicamente, o GP da Bélgica nesse autódromo é disputado sob chuva. Na edição de domingo, na primeira largada da prova, 11 carros se acidentaram por causa, principalmente, da falta de visibilidade.
Eddie Jordan fez um breve pausa nas comemorações da vitória de Damon Hill no GP da Bélgica para acusar o piloto Michael Schumacher. O irlandês apontou o piloto da Ferrari como o responsável pelo fato do irmão dele, Ralf Schumacher, querer ir para a Williams. Os esforços de Michael para tentar convencer Ralf a mudar de time na próxima temporada não me agradam, comentou Jordan, falando à rede de rádio e TV BBC.
Ralf Schumacher tem problemas com sua equipe e assegurou que o desacordo com os diretores da mesma não se devem à segunda posição de piloto que ocupa na Jordan e sim à sua divergência em relação à estratégia imposta pelos responsáveis. Ralf Schumacher afirmou que podia ter atacado Hill na 32ª volta na Bélgica, mas as ordens foram para não fazer isso. Infelizmente, não se pode fazer o que se quer. Foi a decisão da equipe, lamentou o piloto.


