Curitiba - O bridge não é um jogo dos mais fáceis de entender. De acordo com os próprios bridgistas, é preciso observar várias rodadas antes de começar a praticar e pelo menos um ano competindo para ser considerado um bom jogador. São 62 bilhões de combinações diferentes, o que torna quase impossível um mesmo carteado em duas partidas. A dificuldade, o desafio e as inúmeras possibilidades é que fascinam cerca de 50 milhões de pessoas no mundo todo e também um grupo de jogadores no Paraná.
''O melhor aproveitamento nas mesmas condições. É isso que o bridge oferece'', afirma o vice-presidente do Clube de Bridge do Paraná, Nelson Saks, 50 anos. Praticante de bridge há 20 anos, Nelson e sua mulher, Zileide Saks, fazem parte de um grupo que se reúne todas as segundas-feiras para jogar o que consideram o ''xadrez do baralho''. ''O bridge já foi reconhecido como esporte pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e tem chances de ser incluído no calendário a partir dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2006, em Torino, na Itália'', destacou Nelson.
De acordo com ambos, a diferença do bridge com outras modalidades com baralho, como o truco, é que existe uma ética sobre a comunicação e também nas próprias jogadas. Além disso, eles asseguram que a competição é sadia e não traz tanto desgaste físico e mental como os chamados jogos de azar. ''Não há gritaria nem entonação de voz. Além disso, o bridge exige raciocínio rápido e é recomendado para doenças da idade, como o Mal de Alzheimer'', diz Nelson. ''Uma pesquisa realizada na década de 70 revelou que a maioria dos praticantes eram médicos, que usavam as partidas para desenvolver o raciocíonio e tomar decisões rápidas, como numa cirurgia'', completa Zileide.
Porém, iniciar no bridge não é tarefa fácil. Exige muita atenção e, acima de tudo, dedicação. ''Meu sogro me apresentou o bridge e venho acompanhando há três meses. Jogo na Internet, para treinar, mas ainda não estou segurou que posso competir'', explica Miguel Lourenço, 27, que é natural de Moçambique. Lourenço afirma que uma das dificuldades é conseguir um parceiro de sua idade. ''Infelizmente não há pessoas mais jovens e não se compara jogar eletronicamente e fisicamente.''
O presidente do clube de Bridge do Paraná, o engenheiro Luiz Friedrich, 62, disse que um curso de bridge dura em média 30 horas. E o esforço, segundo Friedrich, é recompensador. ''É um jogo intelectivo e estimulante, que mantém a mente ativa, a memória e a percepção. Queremos agora divulgar o bridge para todo o Estado e também criar novos núcleos e clubes, como o de xadrez, para introduzir o bridge em escolas. O bridge, por exemplo, ajuda no aprendizado de matemática'', frisa.
O Clube de Bridge do Paraná, que antigamente representava a Federação Paranaense de Bridge, tem 60 jogadores inscritos e quer aumentar o número de praticantes da modalidade. Para isso, a entidade, além de divulgar o esporte, também realiza em setembro o 5º Campeonato Brasileiro Aberto de Bridge. A competição acontecerá entre 4 e 11 de setembro, em Curitiba, e as inscrições podem ser feitas com o vice-presidente, Nelson Saks, pelo telefone (41) 310-5459.

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