Guilherme Dias começou no taekwondo aos 11 anos de idade porque era hiperativo. Foi a saída que sua mãe encontrou para tentar "acalmar" o menino. A tática deu tão certo que hoje, pouco mais de uma década depois, ele é considerado o principal brasileiro em atividade na modalidade. Com um currículo de dar inveja, o jovem lutador é a aposta da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKd) para retomar o caminho das medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.
No ano passado, o taekwondista do Distrito Federal foi o único brasileiro a conseguir uma medalha no Campeonato Mundial realizado em Puebla, no México – foi bronze na categoria até 58 Kg. Este ano, Dias já ganhou o título do Aberto da Suécia e foi prata no Grand Prix da China, resultados que lhe colocaram na nona posição do ranking olímpico internacional de sua categoria.
E por incrível que pareça, uma das principais características no dojô hoje em dia é justamente a paciência e a tranquilidade, bem diferente dos tempos de menino, em que sua mãe tinha dificuldades para fazê-lo parar quieto. E é com a mesma naturalidade com que derruba seus oponentes que Dias encara o posto de principal promessa de medalha do taekwondo nacional para o Rio-2016. "Estou bem tranquilo, acho legal. É como se fosse um reconhecimento pelo meu trabalho, quer dizer que está dando certo. Todo atleta tem que se acostumar com isso, principalmente quem for aos Jogos", avalia.
E ele garante que tem sido seu maior crítico na preparação para aquele que ele mesmo já elegeu como o maior desafio de sua carreira. "Quem acaba colocando mais pressão sou eu mesmo. Me cobro muito, pois acho que é o certo. A cobrança de fora tem que ser menor que a minha, pois ninguém mais que eu quer ganhar. Tudo que conquistar, primeiro será melhor para mim".
E uma boa noção sobre suas chances nas Olimpíadas do Brasil, Dias acredita que terá a partir do mês que vem, quando ele abre uma sequência de três competições chaves na preparação. Entre os dias 12 e 15, ele disputa o Grand Prix Final, que reunirá apenas os oito melhores do ranking em Querétaro, no México. "Vai ser o primeiro campeonato mais fechado, com somente oito e, provavelmente, seis deles estarão nos Jogos, ou até mesmo os oito. Vai ser mais uma chance de avaliar bem. Já fui bem no Mundial também", reforça Dias, que vai ao torneio como convidado, após a desistência de um dos concorrentes que estão à sua frente no ranking. A reta final da preparação para este torneio foi feita durante a última semana em Londrina.
As outras duas competições fundamentais neste processo serão o Mundial e os Jogos Pan-Americanos do Canadá, ambos marcados para o ano que vem. "Depois do Grand Prix, vamos fazer um planejamento para ir bem na seletiva (fechada, da seleção brasileira), não adianta nada ficar fora do Mundial, pois é o campeonato que vale mais pontos para o ranking, que também vai ajudar a garantir a vaga olímpica. O Mundial e os Jogos serão dois termômetros importantes", ressalta o lutador.
Técnico da seleção brasileira, o londrinense Fernando Madureira já conhece o trabalho de Dias há pelo menos três anos, tempo em que o taekwondista assumiu a titularidade da seleção brasileira da sua categoria. Para ele, o sonho da medalha olímpica está muito perto de se repetir. "Logo no primeiro mundial, o Guilherme já foi bronze. Ele é um cara tecnicamente muito refinado e tem uma característica importante, que é a calma, algo que a maioria dos lutadores não têm. Acredito que alguns ajustes, podemos pensar até em ouro, ele tem potencial para isso", atestou o treinador.

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