Brasileiros vivem aventura atrás de ingressos
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de outubro de 1999
Por Émerson Couto 
Amsterdã, 09 (AE) - Horas antes do amistoso entre Brasil e Holanda, uma cena comum era vista nas imediações do Amesterdam Arena, o moderníssimo estádio do Ajax. Brasileiros, que vieram de países próximos, procuravam um ingresso de última hora, uma aventura que começou em distantes estações de trem e acabou na difícil negociação com cambistas. Os 51 mil ingressos colocados à venda, capacidade máxima do estádio, estavam esgotados há mais de uma semana.
"Como o estádio é muito grande, moderno, imaginei que fosse fácil conseguir um ingresso", disse o arquiteto gaúcho Carlos Ramella, de 43 anos, que estava em Bolonha a negócios, viajou, depois, para Paris e, de lá, seguiu de trem para Amsterdã. "Fique sabendo que o Brasil jogaria contra a Holanda e não podia deixar de assistir ao jogo", contou. Viajou a madrugada toda e não perdia a esperança de conseguir um bilhete. "Vou entrar de qualquer jeito", garantiu.
Torcedor do Internacional, Ramella esteve no Beira-Rio, dia 7 de setembro, para acompanhar a vitória da seleção brasileira por 4 a 2 sobre a Argentina. Ficou encantado com a exibição de Rivaldo e queria bis. Lamentou apenas a atuação de cambistas em Amsterdã, onde estava acompanhado de amigos. "É sempre este velho problema", afirmou. Os cambistas, braseiros, negociavam cada bilhete por 150 florins, cerca de US$ 75.
Por cerca de US$ 30, porém, o estudante Diego Rodriguez adquiriu o seu, mas estava desconfiado. Passeava pelo hall de entrada do Arena perguntando sobre a autenticidade do bilhete. "Comprei de um cambista e tenho medo que seja falso", contou.
Rodriguez, de 21 anos, é estudante na Alemanha e, como muitos outros, viajou de trem, de madrugada, com alguns amigos.
A chegada dos torcedores era calma e tranquila. Em cada uma das cadeiras, havia uma banderinha laranja para os torcedores, com a inscrição 100% orange. Além de uma estacionamento subterrâneo para 2 mil carros e outro externo com 12 mil vagas, os torcedores chegavam de trem e metrô, com estações dentro do estádio. O Arena, que custou US$ 150 milhões para ser construído
tem ainda 750 banheiros, 200 monitores de televisão, 50 lojas de alimentação e 2 telões.
Mais que o amistoso, ir ao Amsterdam Arena era considerado por muitos como um passeio turístico. A Fanshop, loja de artigos de Ajax, ganhou produtos extras para serem comercializados, como bandeiras laranjas já com referência da Eurocopa 2000 e camisas da seleção brasileira do atacante Ronaldo. O Soccer World, bar de propriedade de alguns atletas da seleção holandesa e do técnico Frank Rijkaard, virou ponto de encontro de torcedores dos dois países.
Antes do amistoso, a federação de futebol da Holanda preparou ainda uma festa para homenagear dois craques do país e, coincidentemente, do Ajax. Johan Cruyff e Marco Van Basten. Cruyff, símbolo do carrossel holandês nos anos 70, foi eleito o melhor jogador europeu do século XX por jornalistas do continente. Na mesma pesquisa, Van Basten ficou com a décima posição.


