Melbourne - Os dois pilotos brasileiros buscam quebrar jejuns, mas têm objetivos bem distintos para o Grande Prêmio da Austrália, terceira etapa do Mundial. Enquanto Felipe Massa, da Ferrari, espera conseguir o primeiro pódio de sua carreira, Rubens Barrichello só quer marcar pontos, o que ainda não conseguiu com o carro da Honda. A largada será à 1 hora (de Brasília), com transmissão da TV. O grid seria definido na madrugada de hoje.
''Acho que eu poderia ter subido ao pódio no Bahrein e na Malásia não fossem todos os problemas que enfrentei. Mas se eu fizer uma corrida limpa aqui, não vejo porquê não imaginar que seja possível'', declarou Massa, que já soma 54 corridas na categoria.
Barrichello, que sentiu o gosto do champanhe pela primeira vez na sua 18 prova 3º lugar no GP do Pacífico com a Jordan ficou animado com o resultado dos primeiros treinos livres. ''Sinto o carro mais competitivo e espero chegar entre os oito primeiros.''
Nos treinos livres, ao menos, a Honda foi imbatível. Anthony Davidson, piloto de testes, foi o mais rápido nas duas sessões. No segundo treino, Barrichello foi o oitavo e Massa terminou na décima posição.
Estrategista - Cigarro entre os dedos da mão esquerda, camisa despojadamente desabotoada, cabelos grisalhos, o inglês Pat Symonds, 53, dá uma tragada, agradece o elogio e revela, sem dizer o nome do santo, um dos trunfos para o sucesso da Renault neste início de 2006, na busca pelo bicampeonato na F-1.
''Compramos um software que vem ajudando bastante na hora de pensar na estratégia para as corridas. Esse programa também é muito útil quando precisamos mudar de plano, rapidamente, no meio de uma corrida'', explica o engenheiro.
Software? Não é o que faz a diferença. Todas as outras escuderias têm programas semelhantes. Há, na ''revelação'' do engenheiro, um quê de modéstia. Tanto que demora para admitir seu papel.
Primeiro fala no tal programa. Depois cita um conglomerado de engenheiros da Renault. Só no fim assume: é ele o responsável pela estratégia do seu time nos dias de GP, área que explica a liderança da Renault nos campeonatos de Pilotos e Construtores.
No Bahrein, na base da estratégia de pit stops, Fernando Alonso deu um nó em Michael Schumacher e venceu. Na Malásia, a vítima foi Jenson Button, que largou entre os dois carros da Renault mas terminou só em terceiro, assistindo à primeira dobradinha da marca francesa em 24 anos.
Na Austrália, Symonds tentará de novo. Ele estará no pit wall, computadores à frente, rádio acionado, comandando a equipe.
Equipe que conhece como ninguém: na F-1, dá expediente na mesma fábrica desde 81, quando a placa na fachada ainda estampava a marca Toleman.

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