As razões são muitas: os pneus Goodyear, que não vencem há 16 provas e prejudicaram os quatro pilotos calçados com eles (Gil de Ferran, Christian Fittipaldi, André Ribeiro e Hélio Castro Neves); a falta de testes, que deixou a Tasman de Tony Kanaan para trás; ou as decisões técnicas equivocadas da PacWest, como a de produzir seus próprios amortecedores, que fizeram Maurício Gugelmin ter uma queda vertiginosa de desempenho. Mas o fato é que os pilotos brasileiros estão perto de encerrar a temporada da Fórmula Indy sem vitória, quebrando uma tradição de 13 anos.
Desde 85, quando Émerson Fittipaldi venceu a primeira corrida na Indy, no oval de Michigan, com um Lola-Chevrolet azul e branco da equipe Patrick, que o Brasil não passa um ano inteiro sem vitória na categoria. Émerson ganhou pelo menos uma corrida em todas as temporadas que disputou até 95. Retirou-se das pistas, no ano seguinte, após o acidente em Michigan, com um retrospecto de 22 vitórias, 17 poles, um título, em 89, e duas vitórias nas 500 Milhas de Indianápolis, em 89 e 93.
André Ribeiro e Gil de Ferran mantiveram a escrita. André venceu uma corrida no ano de estréia, em New Hampshire, em 95, e outras duas em 96, no Rio e em Michigan. Gil ganhou em Laguna Seca, há três anos, e em Cleveland, há 40 corridas atrás. A última vitória foi de Maurício Gugelmin, em Vancouver, em setembro do ano passado. Gugelmin também obteve a última pole dos brasileiros, em Fontana, no encerramento da temporada.
O jejum de vitórias dura 19 provas e o de poles, 17. Os brasileiros só têm mais duas oportunidades de manter a escrita iniciada por Émerson. Ou vencem domingo o GP da Austrália, ou ganham a última e milionária prova em Fontana, que dará US$ 1 milhão ao vencedor.
Em Surfer’s Paradise, Tony Kanaan e Christian Fittipaldi são os mais credenciados a vencer. Kanaan confessa que adora circuitos de rua. ‘‘É o meu tipo de pista’’, afirmou. ‘‘A Tasman não leva tanta desvantagem porque as outras equipes não treinam aqui durante o ano e o piloto pode fazer a diferença.’’
Ele creditou o sucesso e o título de estreante do ano ao bom trabalho da equipe Tasman. ‘‘Esse time é como uma família’’, descreveu. Tony disse que se dá tão bem com todas as pessoas da equipe, desde as duas temporadas na Indy Lights, que não sentiu a tensão por estar ascendendo à categoria mais importante da carreira. ‘‘O bom ambiente tirou a pressão’’, contou. ‘‘É como se eu estivesse em casa: se cometo um erro, sei que terei apoio.’’
Como a prova da Austrália acontece as duas horas da madrugada deste domingo (horário de Brasília), os treinos livres terão início hoje.

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