São Paulo - Uma comissão técnica de vôlei do Brasil embarca amanhã rumo a Ruanda, na África. Na bagagem, os cincos profissionais, quatro deles de São Caetano do Sul, levam conhecimento profissional para passar às equipes de lá. O primeiro passo será treinar a seleção masculina do País, em 7.º no ranking africano - a meta é colocá-la entre as quatro e classificá-la para as Olimpíadas de 2012.
No entanto, o nível dos atletas está bem abaixo da média mundial. ''Eles estão 20 anos atrasados, se comparado ao Brasil. Nenhum atleta recebe salário e a preparação física é quase inexistente'', disse o coordenador do projeto Paulo Pan.
Se o desafio é grande, o atrativo para trabalhar também. Apesar da falta de técnica e esquema tático, os jogadores têm o biotipo ideal, segundo o assistente técnico, Rubens Bordinhon. ''Eles são parecidos com os cubanos, embora sem a massa muscular deles'', comentou.
O técnico Paulo de Tarso Milagres concorda com o colega e espera transformar o time em uma equipe de alto nível em até cinco anos. Já para se aproximar do nível do Brasil, o tempo seria o dobro. ''Eles não têm a capacidade de raciocínio que nós temos no vôlei, mas o potencial físico talvez seja até superior ao nosso'', comparou.
O investimento feito pelo Ministério de Esportes de Ruanda também compensa a jornada do time brasileiro. Os integrantes da comissão vão receber no mínimo o dobro do que ganhavam no Brasil. Além do reconhecimento que a jovem equipe terá lá fora. ''No Brasil, para um técnico ser reconhecido, leva muito tempo. Para ter uma oportunidade como essa, levaria no mínimo mais 15 anos aqui'', calculou Milagres.
O trabalho começa no próximo dia 23 com o início do campeonato nacional de vôlei, que vai definir os atletas para a seleção de Ruanda. A expectativa é de que, nos primeiros três meses, o preparador físico Adriano Roza e a fisioterapeuta Maria Fernanda Amalfi tenham muito o que fazer. ''Como eles nunca fizeram um trabalho muscular intenso, podem surgir algumas lesões. Só depois poderemos começar a pensar em aumentar a performance'', comentou Roza.
Além de treinar, os brasileiros também vão passar os conhecimentos técnicos para os profissionais de lá, com o objetivo de promover a modalidade no País, onde a preferência é o futebol.
De acordo com o coordenador Paulo Pan, o vôlei, porém, ganhou espaço após o genocídio provocado pela guerra civil em Ruanda, em 1994. ''A atividade foi uma forma de ter um esporte em grupo sem contato físico'', disse. O programa também inclui o intercâmbio entre os atletas. Este ano, a seleção de Ruanda deve treinar em São Caetano do Sul e a equipe paulista na África.

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