Áureo Nogueira
De Londrina
Os brasileiros ainda saboreiam a goleada histórica de domingo (9 a 0) sobre os colombianos. Mas já pensam nos argentinos, primeiros adversários no quadrangular final do Torneio Pré-Olímpico, amanhã à noite, no Estádio do Café. O quadrangular definirá as duas seleções sul-americanas classificadas para as Olimpíadas de Sydney. O ouro olímpico é inédito para o futebol brasileiro.
A goleada fez tão bem que a Comissão Técnica decidiu alterar a programação do dia seguinte ao do jogo. Após as três primeiras rodadas do Pré-Olímpico, os jogadores que iniciaram as partidas faziam hidroginástica e os outros trabalhavam fisicamente. Ontem, entretanto, todo o grupo foi levado à Academia Wet Sport, pela manhã. Titulares e reservas realizaram exercícios de hidroginástica e musculação. À tarde, não houve atividade. Os jogadores apenas descansaram.
Da academia, a delegação foi almoçar na chacará do proprietário do Crystal Palace Hotel (local de concentração brasileira), às margens do Lago Igapó. Na véspera da goleada sobre a Colômbia, os brasileiros estiveram na chácara de Bruno Veronesi e aproveitaram para passear de lancha e jet ski no Igapó. Ontem, entretanto, a chuva impediu a atividade e todos retornaram para o hotel por volta das 15 horas.
O clima impediu o passeio no lago, mas não o samba e o pagode. Ao saírem da academia, os jogadores que se sentaram no fundo do ônibus levaram instrumentos musicais e ‘‘puxaram’’ animado pagode.
O técnico Wanderley Luxemburgo se esforçava para não demonstrar euforia. Mas a satisfação pela grande apresentação brasileira era indisfarçável. Reconhecendo que o clima melhorou após a goleada, Luxemburgo disse que isso é normal. ‘‘Até vocês (jornalistas) estão com um sorriso na cara.’’
Atípico, para o técnico brasileiro, foi o placar do jogo. ‘‘Em 34 anos de carreira isso nunca aconteceu comigo’’, declarou, assegurando que o resultado não provocou euforia no grupo. ‘‘Todos os jogadores são inteligentes para saber que isso só vai acontecer novamente daqui a 100 anos.’’
Luxemburgo reconheceu que tudo deu certo para a seleção. ‘‘Até quando eles (colombianos) tiveram chance, acontecia alguma coisa, a bola desviava em alguém’’, disse, acrescentando que inclusive o árbitro argentino Daniel Gimenez esteve perfeito. ‘‘Foi a melhor arbitragem que eu vi nos últimos tempos. Ele esteve muito bem, em cima de todos os lances’’, elogiou Luxemburgo, que havia reclamado dos juízes dos três jogos anteriores.
Sobre a torcida, Luxemburgo reiterou que as vaias no jogo contra a Venezuela foram injustas. Mas admitiu que o time pouco fez contra Chile e Equador. ‘‘A vitória contra a Colômbia criou a empatia necessária. Tenho certeza de que agora a torcida vai lotar o estádio e jogar com a seleção.’’
Apesar da empolgação com o desempenho do time no domingo, dificilmente o Brasil vai enfrentar a Argentina com a mesma equipe que conseguiu a goleada de 9 a 0 – placar mais dilatado da história dos Pré-Olímpicos sul-americanos. Ontem, Luxemburgo evitou falar sobre a escalação. Mas já deu a entender que deve voltar ao esquema com três cabeças-de-área. ‘‘Nós temos alternativas táticas. Mas, qualquer que seja o esquema implantado, estaremos em condições de buscar a classificação’’, afirmou o treinador.
O auxiliar-técnico Candinho também desconversou: ‘‘Gostei muito da atuação da Seleção Brasileira, o que não significa que o time será mantido contra a Argentina’’.
A tendência é pela manutenção de Marcos Paulo e Fabiano e o retorno de Mozart (que ficou de fora contra a Colômbia porque é um jogador de combate e estava ‘pendurado’ pelo cartão amarelo). Na lateral-direita há dúvida, porque Mancini fez sua melhor apresentação e Baiano cumpriu suspensão automática e já pode atuar. Athirson certamente permanece na lateral-esquerda; Lucas deve continuar no ataque.
Surpresa na escalação de domingo, Edu fez dois gols mas fala como quem vai retornar para o banco de reservas. ‘‘Tive uma atuação muito feliz contra a Colômbia, mas não acredito que apenas uma partida seja suficiente para garantir a vaga na equipe’’, disse Edu.
Mozart garante que está pronto para voltar ao time. ‘‘Só depende do treinador’’, disse o meia, revelando que antes do jogo contra a Colômbia o treinador lhe perguntou se haveria problema em poupá-lo por causa do cartão amarelo.
Com time ofensivo ou defensivo, Luxemburgo sabe que somente duas vitórias nos três jogos do quadrangular final do Pré-Olímpico garantem uma vaga em Sydney. ‘‘Não vai haver moleza. A goleada não muda nada e estamos trabalhando da mesma maneira’’, destacou. ‘‘Com duas vitórias garantimos a vaga e esse é o nosso objetivo.’’Placar histórico muda a programação do time de Luxemburgo, que tentou esconder a euforia indisfarçável
Josoé de CarvalhoEM BERÇO ESPLÊNDIDOAlex faz alongamento em academia: após os exercícios e a hidroginástica da manhã, jogadores tiveram tarde de descanso como prêmio pela goleada histórica sobre a Colômbia

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