Brasileiros relegados a segundo plano
Curitiba - Com um português e um argentino dividindo o protagonismo na decisão de hoje em Roma, aos brasileiros caberá apenas um papel de coadjuvante. Dos seis jogadores do país que integram os elencos de Manchester e Barcelona, apenas um deve começar a partida como titular: o lateral Rafael, do time inglês. Daniel Alves, outro que começaria jogando, mas na lateral do Barça, está suspenso por ter recebido o terceiro cartão amarelo.
O fato mostra uma tendência preocupante para o futebol tupiniquim. Nos últimos anos, os jogadores brasileiros vêm perdendo espaço nos grandes times europeus. Na final da Liga dos Campeões da última temporada, entre Manchester e Chelsea, a situação era parecida com a deste ano.
Não era o que vinha acontecendo em praticamente todas as decisões da Liga dos Campeões entre 2000 e 2007, quando pelo menos uma das equipes finalistas tinha um brasileiro como uma de suas principais estrelas. Foram os casos, entre outros, de Kaká no Milan, em 2007 e 2005; Ronaldinho Gaúcho no Barcelona, em 2006; Deco no Porto, em 2004; além de Roberto Carlos no Real Madrid, em 2002.
Os pés-de-obra mais badalados do mundo, os brasileiros, parece que começam a perder o glamour e, na melhor das hipóteses, conseguem ser titulares em clubes de menor expressão, afirma Luiz Carlos Ribeiro, professor do Departamento de História da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador do Núcleo de Estudos Futebol e Sociedade da instituição. Ribeiro fala com conhecimento de causa. Ele vem realizando um trabalho de pós-doutorado sobre o papel do futebol na integração da União Europeia.
Para o professor, a evidência de que os brasileiros estão caindo para uma espécie de segundo escalão no futebol da Europa foi a final da Copa da Uefa, disputada na semana passada. O Shakhtar Donetsk foi campeão com cinco brasileiros titulares: Willian, Jadson, Fernandinho, Ilsinho e Luiz Adriano. O time da Ucrânia derrotou na final outra equipe mediana: o Werder Bremen, da Alemanha, de Naldo e Diego que não jogou a decisão por estar suspenso. Desses, nenhum compõe a última lista de jogadores convocados pelo técnico Dunga para os próximos jogos da seleção, ressalta Ribeiro.
Checando a última convocação de Dunga, fica realmente clara a redução no número de jogadores de grandes times europeus na seleção. Foram apenas oito: Júlio César e Maicon, da Inter de Milão; Alex, do Chelsea; Lúcio, do Bayern de Munique; Kaká e Alexandre Pato, do Milan; além de Anderson, que deve ficar no banco de reservas do Manchester United na final de hoje; e o próprio Daniel Alves, do Barça. Para efeito de comparação, no grupo que disputou a Copa do Mundo de 2006, 14 dos 22 jogadores atuavam na época em clubes de primeira linha na Europa. (R.L.)





