São Paulo - Em 2001, as duas primeiras etapas da temporada da F-Cart (a atual Champ Car World Series) tiveram a participação de dez pilotos brasileiros. Hoje, apenas um corredor do País, Bruno Junqueira, está garantido na temporada que vai começar em 18 de abril. Nos dois últimos anos, o campeonato da Indy Racing League (IRL) teve a presença regular de seis brasileiros. Na disputa que terá início neste domingo, só Hélio Castro Neves e Tony Kanaan estarão no grid. Vários pilotos ainda estão correndo atrás de um lugar, mas está difícil encontrar. Terão as portas do automobilismo americano se fechado para os brasileiros?
Pilotos e empresários entendem que não é bem assim. Mas admitem que o momento atual é bastante complicado, reflexo de alguns fatores, como perda de patrocínio, a dúvida que pairou até recentemente sobre a continuidade ou não da Champ Car e, claro, a retração da economia mundial, entre outros.
''O problema é que aconteceu muita coisa ao mesmo tempo, coisas que acabaram influenciando o mercado para os brasileiros'', diz o empresário Willi Herrmann, proprietário da Image, empresa que detém os direitos da IRL no Brasil
Mas o golpe principal atingiu em cheio outro brasileiro, Felipe Giaffone. A Souza Cruz decidiu retirar o patrocínio que mantinha Giaffone na MoNunn US$ 3 milhões e, com isso, o piloto ficou sem lugar, pois a verba de patrocínio que a equipe conseguiu é insuficiente para alinhar dois carros no campeonato.
''Além disso, o Felipe sofreu um grave acidente no ano passado, que o fez perder várias corridas. Isso o deixou fora da luta por uma posição. E, agora, seu maior desafio não é nem arrumar patrocínio e, sim, ser contratado ganhando salário'', entende Herrmann.
O desafio é realmente grande. Principalmente porque os custos da categoria aumentaram Willi calcula que atualmente são necessários de US$ 5 milhões a US$ 8 milhões para se ter um carro competitivo na IRL. ''Por isso, hoje a grande maioria das equipes opta por pilotos que levam dinheiro'', acrescenta outro empresário brasileiro, Geraldo Rodrigues.
O raciocínio também vale para quem ambiciona um lugar na Champ Car, categoria na qual são necessários US$ 5,5 milhões para se ter um carro em condições de brigar pelo título.
Rodrigues, porém, acredita que ainda há chance de alguns brasileiros conseguirem vaga para correr nas categorias norte-americanas este ano. Na IRL, cita Felipe Giaffone, nem que seja apenas para as 500 Milhas de Indianápolis, em maio, o que poderá lhe abrir as portas para participar do restante da temporada o raciocínio é o mesmo de Willi Herrmann. Mário Haberfeld, Gualter Salles e Alexandre Sperafico podem conseguir colocação na Champ Car.

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