Brasileiros não vibravam tanto desde a época de Senna
São Paulo, 10 (AE) - Desde 1993, em que Ayrton Senna venceu o GP do Brasil, o público em Interlagos não vibrava tanto quanto hoje. Rubens Barrichello deu um show e bateu Michael Schumacher na disputa pela terceira colocação no grid, a única possível, já que os dois pilotos da McLaren continuam inatingíveis. "É delicioso vencer o alemão aqui em casa", disse o piloto da Stewart. Mika Hakkinen estabeleceu a pole position com o tempo de 1min16s568, marca melhor que a do ano passado, quando os pneus tinham menor aderência.
Quando Barrichello cruzou a linha de chegada cerca de dois décimos de segundo mais rápido que Schumacher, as cerca de 25 mil pessoas presentes no autódromo pularam como na comemoração de um gol da seleção brasileira. O piloto da Ferrari justificou a derrota na classificação com a escolha dos pneus: "Ele estava com pneus moles (mais rápidos), enquanto optei pelos duros." Hakkinen não se surpreendeu com o terceiro tempo de Barrichello. "Na Austrália ele já havia sido muito veloz, o que me impressionou foi o seu tempo", afirmou. Barrichello foi o único a ficar no mesmo segundo dos carros da McLaren (a 737 milésimos do finlandês).
Quanto a ser mais rápido que em 1998, com pneus dianteiros de quatro sulcos em vez de três, como ano passado, Hakkinen comentou que tudo na nova McLaren evoluiu, até o piloto.
A marca de hoje se aproximou na obtida por Jacques Villeneuve em Interlagos, em 1997, com Williams, última temporada em que se correu com pneus slick, 1min16s004. O recorde absoluto do circuito é ainda o de Nigel Mansell, que em 1992, com Williams-Renault FW14B, equipado com todos os recursos de eletrônica existentes e permitidos na época, fez 1min15s703.
Para Schumacher, inconformado com a Ferrari, os pilotos da McLaren só não vencem amanhã o GP do Brasil se os seus carros quebrarem, como ocorreu em Melbourne.
O treino que definiu o grid foi disputado com pista seca, apesar de cair algumas gotas de chuva sobre Interlagos. A previsão meteorológica para amanhã, às 14 horas, hora da largada
é de tempo seco. A maior parte dos 70 mil ingressos colocados à venda foram comercializados. "Vou usar todos os poderes de que disponho para chegar no pódio", afirmou Barrichello. Os que gostam de Fórmula 1 parecem ter readquirido a confiança perdida no piloto.
Pedro Paulo Diniz, da Sauber, reclamou bastante do comportamento do seu carro. Ele larga em 15.o, ao lado do seu companheiro de equipe, o francês Jean Alesi. O outro brasileiro inscrito na prova, Ricardo Zonta, da BAR, não participou da classificação, não corre no Brasil e nas próximas duas etapas do Mundial, por ter ferido o pé esquerdo com gravidade no treino livre da manhã.
O espanhol Pedro de la Rosa, da Arrows, teve o seu melhor tempo no treino que definiu o grid anulado, por não ter diminuído a velocidade quando Marc Gene se acidentou no Bico do Pato. Ele cairia de 18º para 19º no grid, mas como Jacques Villeneuve, da BAR, foi desclassificado em razão de a gasolina do seu carro não estar em conformidade com a enviada previamente pela equipe à FIA, e larga em último, Rosa ficou na mesma 18ª colocação. Villeneuve era o 16º.





