São Paulo - No Rali Dacar, o preparo físico dos pilotos é tão importante quanto o combustível nos veículos. O calor intenso e os percursos longos e acidentados da corrida exigem o máximo da concentração dos competidores, que precisam estar bem fisicamente para suportar o desgaste: se o corpo não aguenta o esforço, o risco de acidentes aumenta e eles podem ser fatais, especialmente entre os concorrentes da categoria motos.
O piloto de caminhão André Azevedo, da equipe Petrobrás/Lubrax, ressalta que não dá para relaxar na preparação física para o Dacar, que será disputado em 2009 na América do Sul - em 2008, foi cancelado em cima da hora por falta de segurança diante de ameaça de ataques terroristas no Senegal, e os organizadores decidiram transportar o nome além do Oceano Atlântico.
''Os ombros e o pescoço sofrem por causa das chacoalhadas (no terreno irregular), assim como a região lombar e o abdome'', ressalta André, que começou correndo de motos, há mais de 20 anos. Ele lembra que algumas das etapas terão percurso de 800 quilômetros em um dia, e a parte aeróbica também não pode ser negligenciada. ''Na largada, por exemplo, a média de batimentos cardíacos é de 140 por minuto, com picos de 170.''
Zé Hélio Rodrigues Filho, da equipe Honda Brasil, diz que tem se preparando como nunca para a estréia no rali pilotando uma moto. ''Estou treinando dobrado.'' Reinaldo Varela, da Rally Brasil, não se limitou somente aos exercícios. ''Fiz um preparo físico bom, com musculação e trabalho aeróbico, mas também me preocupei em maneirar na alimentação.''
Irmão e companheiro de equipe de André, Jean Azevedo conhece a necessidade de uma boa preparação física. Este ano, fará estréia na categoria carros, depois de disputar o Dacar sobre motos por mais de uma década. ''Na moto, você trabalha mais a condição aeróbica e de força do que nos carros. Em compensação, o carro pode ser mais quente e você pode perder mais líquido.'' Para a corrida, que começa no dia 3 de janeiro, a preparação mudou. ''Diminuí a musculação e aperfeiçoei a preparação aeróbica, correndo e nadando.''
O rali trará dificuldades extras para todos os concorrentes. Uma delas será a altitude de até 4 mil metros. O Dacar prevê a travessia da Cordilheira dos Andes, onde o organismo costuma sentir as consequências do ar rarefeito. Marcelo Vívolo, da equipe Mitsubishi Brasil, teve dificuldades nos Andes. ''Fiz um treino físico, sem o carro, e senti um pouco as consequências da altitude. Tive dor de cabeça.''
Mas, sem dúvida, um dos adversários mais temidos do Dacar 2009 será o calor. Até 2007, o evento sempre foi disputado em janeiro, inverno no norte da África. A passagem pelo Deserto do Saara era marcada por dias quentes mesclados com noites frias. O mesmo não deve acontecer agora. Como janeiro é verão na Argentina e no Chile, os competidores atravessarão o Deserto do Atacama durante alguns dos dias mais quentes do ano na região. A temperatura - que dentro dos carros pode chegar a 60 graus centígrados - deve cair durante a noite, mas a amplitude térmica não deve ser tão grande.
Segundo André Azevedo, os organizadores do rali sabem que os pilotos perderão muito líquido. ''Sob efeito da desidratação um piloto perde rendimento, a concentração não é a mesma e os riscos de acidentes aumentam'', alerta.

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