Sem os norte-americanos Michael Johnson, ouro nos 200 metros, na Olimpíada de Atlanta, em 1996, e Maurice Greene, campeão mundial na mesma distância, os brasileiros Claudinei Quirino e André Domingos sonham com o ouro em Sydney. Em função de contusões, os favoritos não completaram a seletiva dos Estados Unidos, no domingo, em Sacramento, na Califórnia.
‘‘Se eu tinha uma chance de medalha, agora tenho três’’, admitiu Quirino, vice-campeão mundial em Sevilha, no ano passado. De acordo com o velocista, se os imbatíveis rivais se classificassem para a Olimpíada de Sydney, sobraria ao ‘‘resto se bater pelo bronze.’’ Assim, se diz contente com o aumento das chances, mas lembra que o caminho para o pódio será árduo. ‘‘Serão quase 300 atletas brigando por oito vagas na final’’, declarou Quririno, que também teme por contusões.
O atleta, que lamentou o ocorrido com Greene e Johnson, treina com o técnico Jaime Neto em uma pista precária, de placas de cimento, em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. ‘‘Ninguém está livre disso, as lesões ficam nos rondando o tempo inteiro e por isso rezo todos os dias para chegar inteiro à Sydney’’, observou ao contar que frequentemente as placas soltam-se e eles tentam colá-las.
Ontem, a maior preocupação é com a pressão e a cobrança dos torcedores. ‘‘Gostaria de assegurar que vou voltar com o ouro, mas não posso.’’ Após o Troféu Brasil, de 3 a 6 de agosto, no Rio, treinarão em outro local. Para André Domingos, os 200 metros ficaram menos difíceis. ‘‘Agora todos os gatos são pardos’’, brincou o atleta, que desde o início do ano dedica-se a essa distância. Domingos, que conseguiu o índice em junho, em um meeting na Eslovênia e que também treina com Jaime Neto, classificou Greene e Jonhson ‘‘como de outro mundo’’.

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