São Paulo - Todo ano é a mesma história: quem gosta de Fórmula 1 e acompanha as transmissões das provas do Mundial se pergunta o que esperar dos pilotos brasileiros na Fórmula 1. Quem já deixou a adolescência para trás há alguns anos tem ainda em mente a época em que a exceção era o Brasil não vencer, período representado, principalmente, pela presença de Ayrton Senna na competição.
Os tempos são outros. A atual geração de pilotos do País, ainda que não tenha o mesmo talento de outras que já foram campeãs na Fórmula 1, possui menos culpa em cartório do que se imagina. Ser campeão, hoje, implica a combinação de muito mais fatores que há 12, 16 e 29 anos, espaços de tempo já passados desde os últimos títulos de Ayrton Senna, Nelson Piquet e Emerson Fittipaldi.
O Brasil terá três pilotos titulares no campeonato que começa domingo em Melbourne: Rubens Barrichello, na Ferrari; Felipe Massa, Sauber; e Cristiano da Matta, Toyota. Além dos três, Antonio Pizzonia, como piloto de testes da Williams; e Ricardo Zonta, da Toyota. A seguir, o que cada um projeta para si e o que pensam a respeito da temporada.
Rubens Barrichello - Em primeiro lugar, Rubinho é o único brasileiro que possui carro para poder disputar as vitórias. O título mundial seria maravilhoso, mas tendo como companheiro o melhor piloto do mundo, Michael Schumacher, ainda cheio de vontade de ser campeão de novo, e fazendo parte de uma equipe que converge seus maiores interesses nele, é muito difícil. ''O dia que eu acordar e não acreditar que posso conquistar o título é melhor eu parar de correr. Estou aqui para isso'', costuma dizer Rubinho. ''A Ferrari tem equipe para disputar o primeiro lugar e o título e este ano não será diferente'', afirma.
Cristiano da Matta ''Nosso início de temporada deverá ser trabalhoso. O novo carro, o TF104, não evoluiu tanto em relação ao do ano passado como esperávamos. A saída é trabalhar. Mas nossa perspectiva não é ruim. Já conseguimos nesses menos de dois meses, desde que o novo carro foi para a pista, ganhar mais pressão aerodinâmica que em todo o campeonato de 2003'', observou o piloto mineiro.
Felipe Massa ''Estou ansioso pelo começo do campeonato. Foi legal testar pela Ferrari em 2003, conhecer por dentro o funcionamento da melhor equipe da F-1, mas piloto é como jogador de futebol: não consegue viver apenas de treinos. Aprendi bastante convivendo com o Schumacher e o Rubinho e agora, bem mais maduro que na minha estréia pela Sauber em 2002, quero colocar em prática todo esse aprendizado'', conta Massa.

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