Brasileiros entram como coadjuvantes
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sexta-feira, 06 de março de 1998
Livio Oricchio Agência Estado 
Arquivo FolhaRubens Barrichello, da StewartDesde 94, com a perda de Ayrton Senna, muitos brasileiros se perguntam a cada início de temporada: O que nossos pilotos farão este ano? A geração que representa o País hoje na Fórmula 1 recebeu da nação, antes mesmo de se sentar nesses carros, a difícil missão de dar sequência às que a antecederam, caracterizada pelas vitórias e títulos de Émerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna. Os oito títulos mundiais conquistados por essas três gerações, de 72 a 91, criaram a falsa sensação de que é fácil para um país renovar seus campeões do mundo. Não será desta vez, porém, que o Brasil voltará a brigar pelo título da F-1.
Ainda que Rubens Barrichello, Pedro Paulo Diniz e Ricardo Rosset não demonstrem a mesma velocidade e capacidade de conduzir a corrida exposta por Émerson, Nelson e Ayrton, há atenuantes para a falta de resultados dos três. O principal deles: eles não correm por nenhuma equipe de ponta.
DivulgaçãoPedro Paulo Diniz, da Arrows
A Arrows de Diniz, a Stewart de Barrichello e a Tyrrell de Rosset são, seguramente, escuderias em ascensão na F-1, mas estão longe ainda de competir em igualdade com a Williams, McLaren, Ferrari e Benetton. Por ter percorrido bem mais quilômetros nos testes de pré-temporada que a Arrows e a Stewart, a Tyrrell de Rosset tem na teoria maiores chances de um bom começo de campeonato.
Ao que tudo indica, John Barnard acertou no A19 da Arrows. Pedro Paulo Diniz e Mika Salo andaram muito pouco com o A19, mas o suficiente para perceber que se trata de um monoposto bem equilibrado, capaz de evoluir muito. Ele ficou pronto muito tarde. Meu receio é o nosso motor, ainda distante dos melhores em todos os parâmetros, comentou Diniz.
Há na F-1 um pensamento que parece proceder. O segundo ano de uma equipe nova é mais difícil que o de estréia. Na Stewart, até agora, é o que está acontecendo. O time de Jackie Stewart teve de se preocupar, a partir da metade do ano passado, com a criação de um novo carro para este mundial e, ao mesmo tempo, prosseguir competindo com Rubens Barrichello e Jan Magnussen. Isso exige uma estrutura que a Stewart ainda não tem.
Arquivo FolhaRicardo Rosset, da Tyrrel
No ano anterior ao da estréia, a escuderia teve de se preocupar apenas com a produção do carro. Ela ainda não participava da Fórmula 1. Barrichello e Jan Magnussen estiveram entre os pilotos que menos treinaram na pré-temporada, por falta de capacidade da equipe produzir seus carros e reparar um crônico problema na nova caixa de marchas do SF-02.
Ao mesmo tempo em que a Stewart tinha de construir o novo carro e continuar correndo, Jackie Stewart reestruturava sua organização. Cerca de 80% das peças do nosso carro passaram a ser produzidos na nossa fábrica, disse Barrichello. Como a Arrows, a Stewart deve enfrentar dificuldades para concluir as primeiras etapas do mundial.


